Cursor vibe coding: como conduzir uma tarefa descrevendo o que você quer em vez de digitar o código?

Cursor vibe coding é conduzir uma tarefa descrevendo o que você quer, em vez de digitar o código linha a linha. O ciclo que funciona tem quatro tempos: entender a base no modo Ask (somente leitura), planejar com o Plan Mode (Shift+Tab), dar contexto com @ no chat e revisar o diff antes de aceitar. O modo Agent é o padrão: ele explora o projeto, edita vários arquivos e roda comandos sozinho. Checkpoints desfazem o que o agente fez, mas a própria documentação avisa que eles não são controle de versão, então mantenha o projeto sob Git
Descrever a tarefa e deixar o editor escrever o código deixou de ser curiosidade e virou rotina de muita gente 🙂
O termo vibe coding foi cunhado pelo Andrej Karpathy num tweet de 2 de fevereiro de 2025, aquele do "There’s a new kind of coding I call vibe coding, where you fully give in to the vibes, embrace exponentials, and forget that the code even exists"
E o exemplo que ele citou no tweet era justamente o Cursor Composer com Sonnet
Ou seja: o Cursor não pegou carona nessa história, ele estava lá no marco zero
Só que "esquecer que o código existe" funciona MUITO melhor quando você sabe conduzir a conversa
Neste post eu mostro o fluxo completo: dar contexto, planejar, rodar, revisar o diff e corrigir o rumo quando a IA sai da linha
Bora ver na prática?
O que você precisa antes de começar
O Cursor é feito pela Anysphere, e é um editor que você instala na máquina e abre um projeto dentro, igual você já faz hoje
Pra testar sem dor, o plano Hobby é gratuito, não pede cartão de crédito e tem uma quantidade limitada de requisições ao Agent
Quem cria conta também ganha um teste Pro de 14 dias, então dá pra sentir o fluxo completo antes de decidir qualquer coisa
Os planos individuais na página oficial estão assim:
Formação Claude Code
Domine Claude Code do absoluto zero até o avançado
- 120 aulas
- 4 projetos
- 9h 45min
| Plano | Preço |
|---|---|
| Hobby | Gratuito |
| Pro | US$ 20/mês |
| Pro+ | US$ 60/mês |
| Ultra | US$ 200/mês |
O modelo da casa é o Composer 2.5, disponível no Cursor desde 18 de maio de 2026, com melhora em tarefas longas e em seguir instruções complexas
O preço por token divulgado pelo próprio Cursor é US$ 0,50/M de entrada e US$ 2,50/M de saída no Standard, e US$ 3,00/M de entrada e US$ 15,00/M de saída no Fast, que é o padrão
E o Git, precisa mesmo?
Precisa, e essa é a parte que muita gente pula
O Cursor tem checkpoints pra desfazer o que o agente fez, mas a documentação diz com todas as letras que checkpoints não são controle de versão
Então abra o projeto num repositório Git, com tudo commitado, antes do primeiro prompt
Já me ferrei uma vez por confiar no "desfazer" da ferramenta em vez do meu próprio histórico
Passo a passo: conduzindo uma tarefa no Cursor pela descrição
A ideia aqui não é mandar um pedido gigante e torcer
É um ciclo: entender, planejar, contextualizar, rodar, revisar, corrigir
- Entenda antes de mudar, no modo Ask
O modo Ask é somente leitura: ele pesquisa na sua base de código e responde, sem fazer nenhuma alteração
É o modo ideal pra perguntar "onde fica a autenticação nesse projeto?" antes de pedir qualquer mudança
Pra alternar entre os modos, o atalho é Ctrl+. direto no input do agente
O erro comum deste passo: já abrir no modo Agent e mandar mexer numa parte do código que você ainda não entendeu
- Planeje antes de gerar código, com o Plan Mode
No input do agente, Shift+Tab inicia o planejamento
O agente pesquisa a base, faz perguntas de esclarecimento e devolve um plano de implementação revisável antes de escrever qualquer linha
O blog oficial do Cursor trata planejar antes de gerar código como a mudança de maior impacto no resultado, citando um estudo da University of Chicago segundo o qual desenvolvedores experientes tendem a planejar antes de gerar
Se você quiser ir mais fundo nessa fronteira entre planejar e sair codando, eu já comparei spec-driven development e vibe coding por aqui
O erro comum deste passo: responder as perguntas de esclarecimento com "tanto faz, pode escolher" e depois reclamar da escolha 😛
- Edite o plano, ele é seu
O plano abre como arquivo Markdown editável dentro do editor, com caminhos de arquivo e referências de código
Dá pra editar, remover passos que não fazem sentido e adicionar contexto que só você sabe
E o botão Save to workspace salva o plano na pasta .cursor/plans/ do projeto
O erro comum deste passo: ler o plano na diagonal, aprovar, e só descobrir no diff que ele ia mexer num arquivo que não devia ser tocado
- Dê contexto com
@no chat
Contexto manual é anexado digitando @ no chat, que vai sugerindo opções conforme você digita
As opções documentadas incluem @Files, @Folders, @Code, @Docs, @Git, @Past Chats, @Cursor Rules, @Web, @Recent Changes e @Lint Errors
A orientação oficial é direta: use @ quando você JÁ sabe quais arquivos são relevantes
Se você não sabe quais importam, é melhor não anexar nada e deixar o agente encontrar pela busca dele
O erro comum deste passo: entupir o chat de arquivo "por garantia" e apontar o agente pro lugar errado
- Escreva o pedido específico, não o genérico
Aqui mora a diferença entre um diff que você aceita e um que você joga fora
O contraste que o próprio Cursor usa no blog oficial é este:
add tests for auth.ts
Contra este:
Write a test case for auth.ts covering the logout edge case, using the patterns in __tests__/ and avoiding mocks
Percebe? O segundo pedido carrega o edge case, o padrão da pasta e uma restrição explícita
É a mesma tarefa, mas uma delas não deixa espaço pra invenção
O erro comum deste passo: pedir "melhore isso" e depois discutir com a IA sobre o que era "melhor"
- Rode em modo Agent e revise o diff
O modo Agent é o modo padrão do Cursor para tarefas de código: ele explora a base sozinho, edita vários arquivos, roda comandos e corrige erros
As mudanças aparecem numa interface de diff, com linhas de adição e remoção coloridas, e uma barra flutuante na parte de baixo da tela permite aceitar ou rejeitar as mudanças do arquivo atual
Esse é o momento de desconfiar, não de comemorar
O alerta oficial é bem claro: código gerado por IA pode parecer certo e estar sutilmente errado, e quanto mais rápido o agente trabalha, mais importante fica o processo de revisão
O erro comum deste passo: aceitar tudo em sequência porque "parece ok" e só perceber o estrago três tarefas depois
- Corrija o rumo sem perder o trabalho
Checkpoints são snapshots automáticos, criados a cada alteração do agente, e permitem desfazer o que ele fez
Salva bastante quando a IA pegou o caminho errado no meio de uma tarefa grande
Mas repare no aviso da documentação: checkpoints não são controle de versão
Edições manuais não são rastreadas, eles valem para a sessão atual e o histórico recente, são limpos automaticamente e são separados do Git
O erro comum deste passo: tratar checkpoint como commit e ficar sem rede de segurança justamente no dia em que a coisa desanda
- Transforme correção repetida em regra
Quando você percebe que está corrigindo a MESMA coisa toda vez, aquilo virou regra
Project Rules ficam na pasta .cursor/rules, são versionadas junto do código e escopadas ao projeto
Detalhe que derruba muita gente: a extensão precisa ser .mdc
Um arquivo .md simples dentro de .cursor/rules é ignorado pelo sistema de regras, porque não tem o frontmatter esperado:
---
description:
globs:
alwaysApply:
---
Além das Project Rules, o Cursor aceita AGENTS.md como alternativa simples em markdown, User Rules globais do ambiente e Team Rules gerenciadas pelo dashboard nos planos Team e Enterprise
E a recomendação oficial é começar simples: adicione regra só quando notar o agente repetindo o mesmo erro, sem tentar otimizar tudo antes de entender seus padrões
O erro comum deste passo: escrever um manual de 300 linhas no primeiro dia, pra um projeto que você ainda nem sabe como vai crescer
Quando descrever a tarefa rende e quando é melhor voltar a digitar
Tem hora que descrever é imbatível, e tem hora que é mais rápido você mesmo digitar
O próprio Karpathy relativizou depois: chamou o tweet original de um pensamento jogado fora, feito para projetos descartáveis de fim de semana
Ou seja, nem o cara que batizou a coisa tratou aquilo como lei pra sistema de produção 😀
| Cenário | Melhor caminho |
|---|---|
| Tarefa que toca vários arquivos | Descrever no modo Agent |
| Base desconhecida, você quer entender | Perguntar no modo Ask |
| Esqueleto de testes seguindo padrão da pasta | Descrever, com o pedido específico |
| Refatoração repetitiva com padrão claro | Descrever, com plano antes |
| Mudança pontual de uma linha | Digitar na mão |
| Trecho que você já tem na cabeça | Digitar, apoiado no Tab completion |
| Decisão de arquitetura sensível | Você decide, IA executa depois |
| Código que você não conseguiria revisar | Não gerar ainda |
O Tab completion sugere código enquanto você digita, e a sugestão pode ser aceita, rejeitada ou configurada
Pra edição pequena ele costuma ser mais direto que abrir uma conversa inteira com o agente
E aquela última linha da tabela é a mais importante: se você não tem como revisar o resultado, o problema não é a ferramenta, é o escopo que você escolheu
Em tarefa densa, dar mais espaço de raciocínio pro modelo antes da resposta ajuda, e isso vale em outras ferramentas também: eu já destrinchei isso no Extended Thinking do Claude Code
O que muda na prática quando esse fluxo entra no dia a dia
Eu programo há mais de 10 anos e construí vários sistemas escrevendo código linha a linha
Hoje eu praticamente não programo: eu coordeno a IA pra que ela crie o projeto
O método é bem o que descrevi aqui em cima: eu descrevo o que quero, testo o projeto enquanto ela constrói e vou dando novas orientações pra melhorar ou corrigir o que aparece torto
E tem um contraste que eu gosto de contar, porque ele explica melhor que qualquer benchmark
Eu e minha equipe levamos 2 anos pra construir do zero uma plataforma própria, antes de existir IA
Hoje, às vezes em uma semana eu já tenho um projeto rodando
Não é mágica, e não é prompt secreto: é ritmo diferente
O gargalo mudou de lugar
Antes ele estava em escrever, agora ele está em revisar e em saber pedir do jeito certo
Eu passei os últimos meses testando ferramentas gratuitas e pagas, de empresa grande e pequena, criando projetos reais e lançando eles pra ver o que acontecia
E a conclusão que ficou é chata pra quem quer atalho: descrever a tarefa não dispensa saber o que roda por baixo do capô
Dá pra criar sistema seguro e escalável com IA, sim
Mas se a pessoa não souber pedir do jeito certo, aparecem falhas de segurança e dados expostos, e ela nem percebe que aceitou aquilo no diff
Pra mim, vibe coding também não é arrastar bloquinho de no-code, comprar template ou continuar projeto pronto: é partir da própria ideia e construir com IA
E a ferramenta pode mudar, isso eu acho até provável
O que perdura é a estratégia e a base sólida de criação, porque escolher a ferramenta certa pra cada cenário faz parte do trabalho, não é algo que se resolve fixando uma só pra sempre
No vídeo abaixo eu falo justamente sobre esse método de coordenar a IA em vez de digitar, e por que sem base técnica o resultado vira sistema de faz de conta:
Próximo passo: uma tarefa pequena, do plano ao diff
O ciclo inteiro cabe em cinco movimentos
Ask pra entender a base, Plan Mode com Shift+Tab pra planejar, @ pra dar contexto quando você sabe qual arquivo importa, diff pra revisar linha a linha, e regra em .cursor/rules só quando o mesmo erro se repete
Agora escolhe uma tarefa PEQUENA de verdade, dessas que você faria na mão em vinte minutos
Roda ela de ponta a ponta no plano Hobby gratuito ou no teste Pro de 14 dias, com o projeto sob Git e tudo commitado antes
E presta atenção no ponto onde você quase aceitou algo errado: é ali que o aprendizado mora 🙂
Faça o teste e me conta como foi… até o próximo post!
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre o modo Agent e o modo Ask no Cursor?
O Agent é o modo padrão do Cursor pra tarefas de código: ele explora a base sozinho, edita vários arquivos, roda comandos e corrige erros. Já o Ask é somente leitura, pesquisa na base e responde sem mudar nada. Pra alternar entre os dois, o atalho é Ctrl+. direto no input do agente.
Os checkpoints do Cursor substituem o Git?
Não. Checkpoints são snapshots automáticos criados a cada alteração do agente, úteis pra desfazer mudanças da sessão atual e do histórico recente. A própria documentação do Cursor avisa que checkpoints não são controle de versão, então o projeto ainda precisa estar num repositório Git com tudo commitado.
Onde fica salvo o plano gerado pelo Plan Mode?
O plano abre como arquivo Markdown editável direto no editor, com caminhos de arquivo e referências de código. Ao clicar em Save to workspace, ele é gravado na pasta .cursor/plans/ do projeto, junto do resto do código.
Quanto custa usar o Cursor pra vibe coding?
Os planos individuais são Hobby gratuito, Pro a US$ 20/mês, Pro+ a US$ 60/mês e Ultra a US$ 200/mês. O Hobby não pede cartão de crédito e limita as requisições ao Agent, e quem cria conta ganha um teste Pro de 14 dias pra sentir o fluxo completo antes de decidir.
O Composer 2.5 cobra diferente no modo Fast e no Standard?
Sim. No modo Standard, o Cursor cobra US$ 0,50 por milhão de tokens de entrada e US$ 2,50 por milhão de saída. No modo Fast, que é o padrão, o preço sobe pra US$ 3,00 de entrada e US$ 15,00 de saída por milhão de tokens.
Vale a pena usar @ pra apontar arquivo quando não tenho certeza de qual é o certo?
A orientação oficial do Cursor é o contrário disso: use @ menções só quando você já sabe quais arquivos são relevantes pra tarefa. Se não tiver certeza, é melhor não anexar nada e deixar o agente encontrar os arquivos pela busca dele.
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