OpenCode ou Claude Code: o que muda na prática usar um agente de terminal de código aberto?

comparativo OpenCode vs Claude Code entre agente de terminal aberto e fechado
Resposta rápida

OpenCode vs Claude Code é uma escolha de trade-off, não de time. O OpenCode é um agente de terminal de código aberto sob licença MIT, feito pela Anomaly Innovations (mesmo time do SST) e lançado em 19 de junho de 2025, com repositório público e liberdade de plugar vários provedores de modelo. O Claude Code é proprietário da Anthropic, com o núcleo fechado e sempre rodando modelos Claude, incluído nos planos Pro, Max e Team Premium. Aberto te dá leitura e adaptação, fechado te dá caminho suportado e conta previsível

Fala aí, beleza? Agente de terminal virou item de mesa de trabalho, e agora a pergunta não é mais "uso ou não uso", é "uso o aberto ou o fechado?"

De um lado o OpenCode, agente de codificação para terminal distribuído sob licença MIT, com repositório público na organização anomalyco do GitHub, desenvolvido pela Anomaly Innovations (o mesmo time por trás do SST) e lançado publicamente em 19 de junho de 2025

Do outro o Claude Code, software proprietário da Anthropic: o LICENSE.md reserva todos os direitos e o uso fica sujeito aos Termos Comerciais da empresa, então nada de MIT, Apache ou GPL por lá

Esse post aqui é de DECISÃO, não é tutorial completo de nenhum dos dois

A ideia é responder o que muda no teu dia: o que tu consegue ler, o que tu consegue adaptar, de quem tu fica dependente e quanto isso pesa na hora de adotar

OpenCode x Claude Code: comparação lado a lado

Antes de filosofar, se liga na tabela seca

Critério OpenCode Claude Code
Licença MIT Proprietário, todos os direitos reservados
O que é público Repositório público em github.com/anomalyco/opencode Sistema de plugins e rastreador de issues, o motor central segue fechado
Instalação `curl -fsSL https://opencode.ai/install \ bash ou npm install -g opencode-ai` (também bun, pnpm e yarn) npm install -g @anthropic-ai/claude-code
Configuração ~/.config/opencode/opencode.json (global), ./opencode.json (projeto), caminho custom via $OPENCODE_CONFIG ~/.claude/settings.json
Instruções persistentes AGENTS.md do projeto somados às instruções do opencode.json CLAUDE.md lido no início de cada sessão + memória automática com entrypoint MEMORY.md
Agentes customizados Definidos no opencode.json ou em arquivos .md (um review.md cria o agente review) Sistema de plugins
Provedores de modelo Agnóstico: Anthropic, OpenAI, Google Vertex AI, Amazon Bedrock, Groq, DeepSeek, xAI e modelos via Ollama, entre outros Sempre modelos Claude, inclusive apontando para Google Vertex AI ou Amazon Bedrock em Login > 3rd-party platform
Como se paga OpenCode Zen (lista de modelos testados pelo time) ou BYOK, com a cobrança indo direto pro provedor Pro US$ 20/mês, Max 5x a partir de US$ 100/mês, Max 20x US$ 200/mês, Team a partir de US$ 20/assento com Claude Code só nos assentos Premium a US$ 100/assento

Repara numa coisa: a linha mais importante dessa tabela não é preço, é a de provedor

É ali que mora a dependência de fornecedor, e é sobre ela que rolou a novela do último ano

O que aconteceu entre a Anthropic e as ferramentas de terceiros

Até pouco tempo atrás "vendor lock-in" era papo de slide de arquitetura

Aí virou erro na tela de gente de verdade

A linha do tempo:

  1. 09 de janeiro de 2026: a Anthropic passou a rejeitar, do lado do servidor, tokens OAuth de assinatura usados em ferramentas de terceiros. Quem autenticava o OpenCode com conta Pro ou Max começou a receber o erro dizendo que aquela credencial só é autorizada para uso com o Claude Code
  2. Fevereiro de 2026: os termos legais foram revisados pra proibir explicitamente o uso de assinaturas Claude em harnesses de terceiros. Ou seja, deixou de ser detalhe de implementação e virou regra escrita
  3. 04 de abril de 2026: estado final. As assinaturas Claude Pro, Max e Team não cobrem mais o uso em ferramentas de terceiros como o OpenCode. O caminho suportado pra usar modelo Claude fora dos apps oficiais é chave de API do console.anthropic.com, com cobrança por token

E tem um episódio no meio que vale citar, porque ele diz muito sobre o que "fechado" significa na prática

Em março de 2026 um erro de empacotamento expôs o código-fonte TypeScript do Claude Code: arquivos de source map ficaram no pacote publicado no npm. O pesquisador de segurança Chaofan Shou percebeu isso em 31 de março

Tirando a lição sem drama: fechado não quer dizer invisível, um vacilo de build pode escancarar tudo

Mas invisível não é o ponto

O ponto é auditável por contrato: no MIT tu pode ler, forkar e adaptar com respaldo da licença, no proprietário tu não pode, mesmo que um dia o código apareça na tua frente por acidente

O que muda no seu bolso e no seu setup

Traduzindo o histórico acima pra tua conta bancária, sem enrolação

Se tu quer rodar modelo Claude DENTRO do OpenCode hoje, o caminho é chave de API do console.anthropic.com e cobrança por token, aquele modelo de "paga o que usar"

Já no Claude Code o uso está incluído no plano que tu assina (Pro, Max ou Team no assento Premium), então a conta é fixa e previsível

Pra volume alto e constante, plano fechado tende a ser mais confortável de administrar

Agora o contrapeso, que é o motivo de gente escolher o aberto: no OpenCode a decisão de QUAL provedor usar é tua

As credenciais entram por um comando de autenticação e ficam num arquivo local:

opencode auth login
# credenciais salvas em ~/.local/share/opencode/auth.json

Trocar de modelo ali vira decisão de configuração, não de contrato

Se um provedor aumenta preço, muda política ou simplesmente te deixa na mão, tu edita a config e segue a vida. Se quiser aprofundar essa parte, eu detalho os provedores e planos disponíveis no OpenCode em outro post

E tem a camada de projeto, que é onde a customização do OpenCode brilha

{
  "$schema": "https://opencode.ai/config.json"
}

Esse opencode.json pode viver no global (~/.config/opencode/opencode.json), na raiz do projeto (./opencode.json) ou num caminho custom apontado pela variável $OPENCODE_CONFIG

As instruções que tu declara nele se SOMAM aos arquivos AGENTS.md do projeto, então dá pra ter regra de time versionada no repo e regra pessoal por fora

E agente customizado tu cria com um arquivo markdown: um review.md vira o agente review, sem precisar de plugin nem de build

Do outro lado, o Claude Code resolve isso com CLAUDE.md (as instruções que tu escreve, lidas no início de cada sessão) mais a memória automática com entrypoint MEMORY.md, configurada em ~/.claude/settings.json

São filosofias diferentes: um te dá a peça pra montar, o outro te entrega montado

Como foi na prática rodar o OpenCode com modelo gratuito

No vídeo abaixo eu mostro o OpenCode rodando SEM pagar por IA, e acho que esse teste ajuda a entender o que "agnóstico de provedor" significa quando sai do papel

Rodei o OpenCode pelo terminal dentro do VS Code. Tem um passo de configuração inicial antes de tu chegar na tela de uso, então não é bem next, next e finish 😀

Usei o comando de troca de modelo lá dentro e a lista já vinha com os modelos pagos que eu tinha configurado. Pra chegar nas opções gratuitas eu tive que descer na lista

Escolhi um provedor de modelos gratuitos dentro da própria lista do OpenCode. Ele reúne modelo bom, modelo mediano e modelo fraco, tudo junto

Peguei primeiro o que eu achava ser o mais forte da lista gratuita, escolhi um nível de esforço (deixei no padrão) e mandei ver

Deu timeout

E eu deixei a falha no vídeo de propósito, sem cortar, porque é isso mesmo: modelo gratuito não é perfeito, tem muita gente usando ao mesmo tempo e a resposta demora ou nem vem

Troquei pra outro modelo da lista e o MESMO prompt foi atendido na hora. Essa é a moral da história: quando um trava, tu troca. Isso é liberdade de provedor virando ferramenta prática

Deu pra plugar modelo local também, mas eu escolhi focar nos hospedados em servidor pra não depender do PC da Nasa de ninguém

O método que eu uso quando a IA é de qualidade duvidosa (e ele vale pra qualquer agente, viu):

  1. Primeiro prompt: PRD. Peço a criação de um documento descrevendo produto, público, tela principal e funcionalidades, incluindo o que o projeto NÃO deve ter. Descrever o que fica de fora às vezes importa mais do que descrever o que entra
  2. Segundo prompt: a base. Montou o projeto com Next e Tailwind, tela inicial limpa, tema escuro e centralizada. Abri no navegador só pra confirmar que subiu mesmo
  3. Terceiro prompt: a funcionalidade principal. O app se chama Explica Code: caixa pra colar código, botão de explicar, área de resposta e estado de carregando

Repara que eu PARTICIONO os prompts de propósito, e cada prompt seguinte referencia o PRD

Modelo fraco com prompt gigante vira sopa. Modelo fraco com escopo pequeno e contexto escrito entrega. Esse mesmo raciocínio é o que segura a peteca quando tu vai usar agente em projeto grande

O modelo gerou o arquivo de variáveis de ambiente local, eu colei a chave na mão e avisei o agente pra reiniciar o projeto, senão a integração não ia funcionar

E aqui vai o número honesto do teste: nesse prompt de reinício, depois da chave adicionada, o modelo gratuito ficou 4 minutos raciocinando

Quatro minutos ⏳

É exatamente esse o preço do custo zero: tu não paga em dinheiro, tu paga em tempo de espera e em tentativa perdida

Depois testei colando código de verdade na aplicação e a explicação voltou funcionando. Faltou qualidade na resposta, confesso, mas era coisa de um prompt de ajuste resolver

Antes de subir o código eu conferi se os arquivos de ambiente estavam ignorados no controle de versão. Tome cuidado! É ali que moram as chaves de API

Depois pedi pro próprio agente subir o projeto pro repositório, colei a URL e ele executou os comandos sem eu digitar nada. E o deploy saiu pelo painel de hospedagem, escolhendo aplicação Node, conectando o repositório e importando o arquivo de variáveis de ambiente direto do computador pra nuvem

Se tu faz vibe coding e não domina programação, o Explica Code é um projetinho massa pra ter por perto: cola o trecho, entende o que aquilo faz

Em quais situações cada agente faz mais sentido

Chega de teoria, bora nos cenários

Código sensível ou exigência de auditoria: OpenCode. Com licença MIT e repositório público, tu (ou o time de segurança da empresa) consegue ler o que a ferramenta faz e sustentar isso numa revisão

Customização profunda: OpenCode. Agente criado em arquivo .md, instruções somando AGENTS.md com opencode.json e config versionável por projeto dão um chão muito confortável pra padronizar time

Time que já paga Pro ou Max e não quer gerenciar chave: Claude Code. É o caminho suportado, o uso está no plano e ninguém precisa acompanhar consumo por token no fim do mês

Empresa que já roda em Vertex AI ou Bedrock: os dois caminhos funcionam. O Claude Code aceita apontar pra plataforma de terceiro no login (com o aviso de que alguns recursos exclusivos da Anthropic podem não estar disponíveis nesses provedores) e o OpenCode lista Vertex AI e Bedrock entre os provedores suportados

Quem quer testar modelo gratuito ou rodar local via Ollama: só tem OpenCode nessa fila. No Claude Code o modelo é sempre Claude

Quem valoriza memória automática e ecossistema de plugins: Claude Code. CLAUDE.md mais a memória automática com MEMORY.md é um conjunto pronto, sem tu montar nada

Quem quer as duas coisas: instala os dois, sério. Eles não brigam pelo mesmo diretório de config nem pelo mesmo arquivo de credencial

Veredito: qual escolher hoje

Sem ficar em cima do muro

Se tu quer o caminho de menor atrito e já paga um plano da Anthropic, fica no Claude Code. Conta previsível, memória automática, suporte oficial e zero preocupação com chave de API. O que tu entrega em troca: não dá pra ler o motor, não dá pra adaptar e o modelo é sempre Claude. Se a política mudar de novo, tu descobre pelo aviso, não pelo código

Se tu não quer ficar refém de uma decisão que não é tua, vai de OpenCode. MIT, repositório aberto, agente customizado em markdown, provedor trocável por configuração e a possibilidade de rodar modelo gratuito ou local. O que tu entrega em troca: a conta vira por token (inclusive se quiser Claude ali dentro, via chave de API), e a responsabilidade de escolher e manter o provedor passa a ser sua

O histórico de janeiro, fevereiro e abril de 2026 mostrou uma coisa que vale mais que qualquer benchmark: a camada que tu não controla pode mudar de regra da noite pro dia

Então a pergunta real não é "qual é melhor"

É: quanto risco de fornecedor tu aceita, e quanto tu topa gastar em token pra reduzir esse risco?

Conclusão

Aberto e fechado não é torcida, é trade-off

O Claude Code te vende comodidade e previsibilidade, e cobra em liberdade. O OpenCode te vende liberdade e leitura do que a ferramenta faz, e cobra em trabalho de configuração e em conta variável

Na maioria dos setups que eu vejo, os dois convivem tranquilos na mesma máquina, cada um puxando um tipo de tarefa

Se tu nunca rodou o OpenCode, o próximo passo é curtinho:

  1. Instala pelo script oficial ou pelo npm
curl -fsSL https://opencode.ai/install | bash
# ou
npm install -g opencode-ai
  1. Autentica no provedor que tu vai usar
opencode auth login
  1. Cria um opencode.json na raiz do projeto e deixa as instruções do time versionadas ali junto com o AGENTS.md
  1. E o mais importante: começa no modo Plan, que só lê e analisa, antes de apertar Tab e liberar o Build, que escreve arquivo e roda comando. Deixar o agente solto de primeira num projeto que tu não conhece é pedir pra ver os rm -rf da vida acontecendo na tua frente 😅

Bora testar? Faz o teste com um projetinho pequeno primeiro, sente o fluxo, e aí decide com o teclado na mão em vez de decidir por tabela

até o próximo post!

Perguntas frequentes

Dá pra usar minha assinatura Claude Pro ou Max dentro do OpenCode?

Não mais. Desde 4 de abril de 2026 as assinaturas Claude Pro, Max e Team deixaram de cobrir uso em ferramentas de terceiros como o OpenCode. O caminho suportado é chave de API pelo console.anthropic.com, com cobrança por token.

O OpenCode é totalmente gratuito?

O código do OpenCode é aberto e distribuído sob licença MIT, então baixar e rodar a ferramenta em si não custa nada. O que tem custo é o uso dos modelos: via OpenCode Zen ou via BYOK, caso em que o provedor escolhido cobra direto por token.

Qual a diferença prática entre licença MIT e software proprietário nesse caso?

No OpenCode, licença MIT, você pode ler, forkar e adaptar o código com respaldo legal da própria licença. No Claude Code só o sistema de plugins e o rastreador de issues são públicos, o motor central segue fechado sob Termos Comerciais da Anthropic.

O código-fonte do Claude Code já vazou alguma vez?

Sim. Em março de 2026 um erro de empacotamento deixou arquivos de source map do TypeScript no pacote publicado no npm, expondo o código-fonte. O pesquisador de segurança Chaofan Shou identificou o vazamento em 31 de março.

Como troco de provedor de modelo no OpenCode sem depender de um único fornecedor?

A autenticação é feita pelo comando opencode auth login, que salva as credenciais em ~/.local/share/opencode/auth.json. Como o OpenCode é agnóstico de provedor (Anthropic, OpenAI, Google Vertex AI, Amazon Bedrock, Groq, DeepSeek, xAI e Ollama, entre outros), trocar de modelo vira decisão de configuração, não de contrato.

O que é o OpenCode Zen e quando vale usar BYOK?

O OpenCode Zen é uma lista de modelos testados e verificados pelo próprio time do OpenCode, funcionando como qualquer outro provedor dentro da ferramenta. Se preferir usar sua própria chave da OpenAI ou Anthropic (BYOK), os tokens são cobrados direto pelo provedor escolhido, não pelo Zen.




Escrito por | Matheus Battisti

Matheus Battisti
Fundador da Hora de Codar

Programador apaixonado pelo mundo das tecnologias, sempre buscando em aprender e se aprofundar em linguagens, frameworks e o que mais for necessário para executar um bom trabalho. Agora tem uma nova missão que é de passar seu conhecimento adiante para formar novos programadores e especializar mais os que já são.

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