O que é um LLM e como ele funciona por dentro (explicado para devs)

LLM (Large Language Model) é um modelo de deep learning treinado em um volume enorme de texto pra compreender, gerar e manipular linguagem humana. Na prática, entender o que é LLM se resume a quatro ideias: o texto vira tokens, o modelo gera a resposta prevendo o próximo token mais plausível e repetindo isso, tudo acontece dentro de uma janela de contexto (a memória de trabalho, que inclui a entrada e a saída) e existe uma diferença clara entre treino, que ajusta o modelo, e inferência, que usa o modelo já pronto pra gerar texto
Você usa Claude Code, ChatGPT ou Cursor todo dia, manda um prompt, recebe código pronto e segue a vida
Mas o que acontece entre o Enter e a resposta? 🙂
A maioria de nós usa essas ferramentas como caixa-preta, e tá tudo bem até a hora que algo dá errado: a IA esquece o que você falou lá no começo, inventa uma função que não existe ou responde diferente pra mesma pergunta
Entender tokens, previsão do próximo token, janela de contexto e a diferença entre treino e inferência muda MUITO o jeito que você escreve prompt e lê os limites da ferramenta
Se você já sabe o que é o Claude Code e usa no dia a dia, esse post é a base conceitual que fica embaixo dele
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O que significa LLM (Large Language Model)?
LLM é a sigla de Large Language Model, ou modelo de linguagem grande
Em linguagem de dev: é um modelo de deep learning treinado em uma coleção enorme de texto (livros, sites, artigos) pra compreender, gerar e manipular linguagem humana
Ele não tem um banco de regras gramaticais escrito na mão, nem um if pra cada pergunta possível
O que ele tem é um monte de padrões aprendidos a partir de texto, e é isso que permite gerar respostas que fazem sentido
De onde vem a arquitetura dos LLMs?
Quase tudo que você usa hoje se apoia no Transformer
Essa arquitetura foi proposta no paper Attention Is All You Need, de 2017, escrito por Ashish Vaswani e colegas (Google Brain/Google Research e Universidade de Toronto) e apresentado na NIPS 2017
A sacada do paper: uma arquitetura baseada só em mecanismos de atenção, sem recorrência e sem convoluções
E o que é atenção? Por enquanto pensa assim: é o mecanismo que deixa o modelo olhar pra várias partes do texto ao mesmo tempo e decidir o que é relevante pra cada pedaço
O Transformer acabou virando a arquitetura principal de vários sistemas de IA, incluindo os LLMs 😀
O que é um token e por que ele importa?
Aqui vem o primeiro conceito que muda tudo: o modelo não lê texto como a gente lê
Ele lê tokens
Token é a unidade básica que o LLM processa, e pode ser uma palavra inteira, um pedaço de palavra (subpalavra), uma pontuação ou até um único caractere
Se você conhece o lexer de um compilador, a ideia é parecida: antes de qualquer coisa, a entrada é quebrada em unidades menores que o resto do sistema sabe manipular
Tokens: a ponte entre texto e números
O modelo trabalha com números, não com letras
Os tokens fazem essa ponte: a entrada é quebrada em tokens, e a saída é gerada concatenando tokens, um depois do outro
Ou seja, quando a resposta aparece "digitando" na tela, é literalmente o modelo montando o texto token a token
Como a OpenAI tokeniza o texto?
Um exemplo concreto é a biblioteca tiktoken, usada pelos tokenizadores da OpenAI
Ela usa Byte Pair Encoding (BPE), um processo reversível, sem perdas, que comprime o texto
Reversível quer dizer que dá pra ir do texto pros tokens e voltar pro texto exatamente igual, sem perder nada
Nesses tokenizadores, um token corresponde em média a cerca de 4 caracteres em texto em inglês
Tome cuidado com esse número! Ele é média, vale pra inglês e pros tokenizadores da OpenAI
Não dá pra pegar isso e sair aplicando em português ou em modelos de outros provedores, cada tokenizador quebra o texto do seu jeito
Como um LLM gera texto: a previsão do próximo token
Agora a parte mais importante do post, e que muita gente não sabe
Um LLM gera texto escolhendo o próximo pedaço de texto mais plausível

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O fluxo por dentro é mais ou menos esse:
- Texto: o seu prompt
- Tokens: o texto quebrado em unidades
- Vetores: cada token vira uma representação numérica
- Rede neural: esses números passam pelas camadas do modelo
- Atenção: o modelo pesa o que é relevante no contexto
- Previsão: sai o próximo token mais plausível
E aí o token gerado entra no contexto, e o ciclo roda de novo pra prever o próximo
Como fica o loop de geração em código?
Se liga nesse pseudocódigo, que é só ilustrativo (não é API real de nenhum provedor):
# Pseudocódigo ilustrativo do loop de geração de um LLM
contexto = tokenizar(prompt_do_usuario)
while not terminou(contexto):
probabilidades = modelo.prever_proximo(contexto) # rede neural + atenção
proximo_token = escolher(probabilidades) # aqui entram temperatura e top-p
contexto.append(proximo_token) # o token gerado volta pro contexto
resposta = destokenizar(contexto)
Repara no detalhe: cada token gerado vira entrada pra prever o seguinte
É como um autocomplete do celular, só que absurdamente mais sofisticado e rodando em loop até fechar a resposta haha
Temperatura e top-p: por que a resposta muda?
No pseudocódigo ali em cima tem uma função escolher, e é nela que mora a variação
O modelo não tem só um candidato pro próximo token, ele tem vários, cada um com uma probabilidade
A temperatura é o parâmetro que controla o quanto o modelo tende a escolher opções diferentes pro próximo token
O top-p limita a escolha aos tokens de maior probabilidade, cortando as opções mais improváveis
É por isso que a mesma pergunta, feita duas vezes, pode voltar com respostas diferentes 🙂
Janela de contexto: a memória de trabalho do modelo
Segundo a Anthropic, a janela de contexto é todo o texto que o modelo consegue consultar ao gerar um texto novo, mais o próprio texto que ele gera
Se liga nesse "mais": a resposta do modelo também ocupa espaço na janela
E tem outra distinção importante: janela de contexto não é o corpus de treino
Ela funciona como uma memória de trabalho, tipo a RAM da sua máquina, enquanto o que o modelo aprendeu no treino seria mais parecido com o que já vem gravado no disco
O que o tamanho da janela de contexto muda?
Uma janela maior permite lidar com prompts mais longos e complexos
Uma janela menor limita prompts longos e a coerência em conversas extensas
No dia a dia do dev isso aparece assim:
- Aquela conversa gigante em que a IA começa a "esquecer" o que você combinou lá no início
- Arquivos e logs colados no chat, que consomem contexto que poderia ir pra outra coisa
- Respostas longas, que também entram na conta
É por isso que ferramentas mais espertas tentam carregar no contexto só o que é necessário na hora, e dá pra ver bem esse raciocínio em como funcionam as skills do Claude Code
Treino vs inferência: qual a diferença?
Essas duas palavras aparecem em todo lugar e muita gente usa como se fossem a mesma coisa
Não são!
Treino é quando o modelo é ajustado, inferência é quando o modelo já treinado é usado pra gerar texto
| Treino | Inferência | |
|---|---|---|
| O que acontece | O modelo vê sequências de tokens e precisa prever o próximo, repetidamente | O modelo já treinado recebe um contexto e gera texto token a token |
| Quando ocorre | Antes de o modelo chegar na sua mão | Toda vez que você manda um prompt |
| O que muda no modelo | O modelo é ajustado a partir dessas previsões | O modelo é usado, o ajuste já aconteceu no treino |

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Quero o e-book gratuito Receba o livro e os bônus no seu e-mail.Resumindo: quando você conversa com a IA, você está na inferência
O que você escreve no chat entra na janela de contexto, não no treino do modelo
Pré-treino, fine-tuning e RLHF: como o modelo aprende a seguir instruções?
O treino não é uma etapa só
Pelo glossário da Anthropic, modelos autorregressivos, como o modelo base do Claude, são pré-treinados pra prever a próxima palavra a partir do contexto anterior do documento
Só que tem uma pegadinha: o modelo só pré-treinado não é bom, por natureza, em responder perguntas ou seguir instruções
Ele sabe continuar texto, mas não sabe ser um assistente
Aí entram duas etapas de refino:
- Fine-tuning (ajuste fino): pega o modelo que já passou pelo pré-treino e refina ele, em vez de começar do zero
- RLHF (Reinforcement Learning from Human Feedback): aprendizado por reforço a partir de feedback humano, que treina o modelo pra se comportar de acordo com preferências humanas
E o que muda com o RLHF na prática? 🙂
O pré-treino ensina o modelo a continuar texto, e o RLHF puxa esse comportamento na direção do que as pessoas preferem receber como resposta
Ou seja: o pré-treino dá a base, o fine-tuning refina, e o RLHF ajusta o jeito de se comportar
É essa combinação que transforma um "completador de texto" no assistente que responde sua dúvida de código 😀
O que isso muda no seu uso de ferramentas de IA?
Beleza, teoria entendida
Agora o que interessa: como isso muda o seu dia com Claude Code, ChatGPT, Cursor e por aí vai
O modelo prevê texto plausível, não consulta a verdade
O LLM gera o próximo token mais plausível, e plausível não é sinônimo de correto
Por isso a função inventada, o import que não existe, a flag que parece certa mas não é
Revise a saída, sempre, principalmente no modo 100% vibe coder 😛
O que não está no contexto, o modelo não vê
Na hora de gerar, o modelo consulta a janela de contexto
Se a regra do projeto, o arquivo relevante ou a decisão de arquitetura não estão ali, ele não tem como levar em conta
Então vale colocar no prompt o que importa de verdade pra tarefa
Conversa longa cobra seu preço
Como a janela é limitada e conversas extensas afetam a coerência, aquele chat que já dura a tarde inteira tende a degringolar
Quando a IA começar a se perder, às vezes é melhor começar uma conversa nova com um resumo do que importa
Entrada e saída dividem o mesmo espaço
Lembra que a janela inclui o texto que o modelo gera?
Pedir uma resposta gigante também consome contexto, então pedir algo mais focado ajuda
Respostas diferentes pra mesma pergunta são normais
Temperatura e top-p explicam isso: o modelo escolhe entre vários tokens possíveis
Não é bug, é como a geração funciona
Resumo: o LLM por dentro em quatro ideias
Se você chegou até aqui, já sabe o que é LLM num nível que a maioria dos usuários de IA não sabe 🙂
Recapitulando:
- Tokens: o texto vira unidades (palavra, subpalavra, pontuação ou caractere), que fazem a ponte com os números do modelo
- Previsão do próximo token: o modelo escolhe o próximo pedaço mais plausível e repete, com temperatura e top-p controlando a variação
- Janela de contexto: a memória de trabalho, que inclui o que você manda e o que o modelo gera
- Treino vs inferência: o treino ajusta o modelo (pré-treino, fine-tuning e RLHF), a inferência usa o modelo pronto pra gerar
O próximo passo é prático: na sua próxima sessão com a ferramenta de IA, pensa no prompt como uma janela de contexto que você organiza
O que entra, o que fica de fora, o que é essencial pra tarefa
Depois disso, vale seguir pelos conteúdos de prompt e de Claude Code aqui do blog, que agora vão fazer MUITO mais sentido
Até o próximo post! 😀
Perguntas frequentes
LLM é a mesma coisa que machine learning tradicional?
Não exatamente. LLM é um tipo específico de modelo de deep learning, treinado numa coleção enorme de texto (livros, sites, artigos) pra entender e gerar linguagem humana. Machine learning tradicional cobre uma porção muito maior de técnicas, que nem sempre lidam com texto
Por que o LLM às vezes inventa uma resposta errada?
Porque ele não busca a resposta certa num banco de dados, ele prevê o próximo token mais plausível com base no contexto. Esse fluxo de texto, tokens, vetores, rede neural, atenção e previsão gera o que faz mais sentido estatisticamente, não necessariamente o que é 100% correto
Quanto texto um token representa em média?
Nos tokenizadores da OpenAI, que usam a biblioteca tiktoken, um token corresponde em média a cerca de 4 caracteres em texto em inglês. Esse número é só pra inglês e pra esse tokenizador específico, outros modelos quebram o texto de um jeito diferente
Qual a diferença entre treinar um LLM e usar ele no dia a dia?
Treino é a fase onde o modelo vê sequências de tokens e aprende a prever o próximo, repetidas vezes. Inferência é a fase seguinte, quando esse modelo já treinado é usado de fato pra gerar texto pra você
Por que a mesma pergunta pro LLM pode gerar respostas diferentes?
Isso vem da temperatura e do top-p, dois parâmetros que controlam a escolha do próximo token. A temperatura controla o quanto o modelo tende a variar as opções, e o top-p limita a escolha aos tokens de maior probabilidade
A janela de contexto do LLM guarda tudo que o modelo aprendeu no treino?
Não, são coisas diferentes. A janela de contexto é todo o texto que o modelo consulta ao gerar uma resposta nova, mais a própria resposta que ele gera, funcionando como uma memória de trabalho. O que o modelo aprendeu no pré-treino é outra coisa, separada dessa janela
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