Kiro e spec-driven development: o que é e como a ferramenta organiza spec, plano e tarefas?

fluxo do Kiro spec-driven development com requisitos, design e tarefas em arquivos markdown
Resposta rápida

Kiro é o ambiente de desenvolvimento agêntico da AWS, disponível como IDE, CLI e web, e a proposta dele é o Kiro spec-driven development: antes de gerar código, o pedido vira artefato estruturado. Toda spec passa por três fases (requisitos, design técnico e tarefas) e produz três arquivos markdown na pasta .kiro/specs/ do projeto: requirements.md, design.md e tasks.md. Os requisitos usam a notação EARS, no formato WHEN [condição] THE SYSTEM SHALL [comportamento], e as Feature Specs têm portões de aprovação entre as fases. Tem free tier perpétuo com 50 créditos e planos pagos a partir de US$ 20/mês.

Você já pediu uma feature pra IA, recebeu quinze arquivos de volta e não fez ideia de como auditar aquilo?

Pois é, esse é o buraco que o vibe coding sem baliza abre: começo rápido, e depois ninguém sabe explicar por que o sistema faz o que faz

O Kiro é a resposta da AWS pra isso: em vez de sair gerando código, ele transforma o seu pedido em documento antes, e só depois parte pra implementação

Neste post eu explico o que a ferramenta é, como ela organiza spec, plano e tarefas, quanto custa e pra que tipo de projeto esse formato faz sentido

Bora ver? 🙂

De onde vem o Kiro: AWS, Code OSS e o fim do Amazon Q Developer

O Kiro é um ambiente de desenvolvimento agêntico da AWS (Amazon Web Services)

Ele existe em três formatos: IDE, CLI e interface web

O IDE não foi criado do zero: ele é construído sobre o Code OSS, que é a base open source do VS Code, e usa o registro de extensões Open VSX

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Que diferença isso faz? Se você conhece o VS Code, o ambiente vai parecer familiar, e o onboarding permite importar suas configurações e temas de lá

Sobre onde roda: o Kiro IDE está disponível para macOS, Windows e Linux, e o Kiro CLI para macOS e Linux

A disponibilidade geral (GA) foi anunciada em 17 de novembro de 2025, junto com o Kiro CLI, planos para times via AWS IAM Identity Center, checkpointing e property-based testing

E por que a AWS está empurrando esse formato agora?

Tem um contexto que ajuda a entender o movimento

A AWS anunciou o fim de suporte do Amazon Q Developer: novos cadastros ficaram indisponíveis a partir de 15 de maio de 2026, e os plugins de IDE e as assinaturas pagas chegam ao fim de suporte em 30 de abril de 2027

Ou seja, o Kiro não é um experimento paralelo, é pra onde a casa está apontando

Os três arquivos de uma spec: requirements.md, design.md e tasks.md

Aqui está o coração da coisa

Toda spec do Kiro segue um fluxo de três fases: requisitos (ou análise do bug), design técnico e tarefas de implementação

E cada fase vira um arquivo markdown com nome fixo, dentro do seu projeto

Arquivo O que ele carrega Onde fica
requirements.md Histórias de usuário e critérios de aceite .kiro/specs/ no workspace
design.md Arquitetura técnica, diagramas de sequência e considerações de implementação .kiro/specs/ no workspace
tasks.md Plano de implementação em tarefas discretas e rastreáveis .kiro/specs/ no workspace

Repare num detalhe que muda tudo: os artefatos ficam salvos no próprio projeto, na pasta .kiro/specs/

Isso significa que eles entram no seu versionamento como qualquer outro arquivo do repo

Dá pra revisar em pull request, dá pra ver o diff, dá pra discutir a mudança de requisito antes de alguém escrever uma linha de código

Bem diferente de um plano que vive só dentro do chat e some quando você fecha a janela, né? 😀

Como o Kiro escreve requisitos testáveis: a notação EARS e os portões de aprovação

"Requisito" costuma ser sinônimo de texto vago que ninguém consegue verificar

O Kiro tenta resolver isso com uma notação: EARS, de Easy Approach to Requirements Syntax

O padrão é WHEN <condição/evento> THE SYSTEM SHALL <comportamento esperado>

Parece burocrático, mas o ganho é direto: o requisito vira uma frase que dá pra checar como verdadeira ou falsa, não uma intenção genérica

E quem aprova o que, em qual momento?

Nas Feature Specs existem portões de aprovação entre as fases

Você revisa e aprova os requisitos antes do design, e aprova o design antes da implementação

Também existem dois pontos de partida possíveis, dependendo de onde o seu projeto nasce:

  • Requirements-First: parte do comportamento desejado e deriva o design e as tarefas a partir dele
  • Design-First: parte da arquitetura e do design técnico e deriva os requisitos e as tarefas

Útil quando a decisão técnica já está tomada e o que falta é escrever o comportamento em volta dela

O ciclo fecha na verificação

E aí vem a parte que eu achei mais massa: o property-based testing

Em vez de gerar exemplos individuais de teste, ele extrai propriedades dos requisitos em formato EARS e roda centenas de casos com entradas geradas aleatoriamente

Ou seja, o requisito que você aprovou lá no começo é o mesmo que vira critério de verificação no fim

Especificação e verificação amarradas, não dois documentos que se contradizem depois de três sprints

Feature Spec, Quick Spec e Bugfix Spec: qual usar em cada situação

Nem todo trabalho merece o ritual completo, e o Kiro reconhece isso

Tipo Como funciona Quando faz sentido
Feature Spec Três fases com portões de aprovação, começando por Requirements-First ou Design-First Feature nova onde você quer revisar requisito e design antes de ver código
Quick Spec e Quick Plan Geram os mesmos três artefatos, sem portões de aprovação entre as fases Quando você quer os documentos, mas não quer parar pra aprovar cada etapa
Bugfix Spec Mesmo fluxo de três fases, com o conteúdo dividido em Current Behavior, Expected Behavior e Unchanged Behavior Correção de bug, principalmente quando o que NÃO pode mudar importa tanto quanto a correção

Esse Unchanged Behavior da Bugfix Spec é um achado

Quantas vezes o conserto de um bug quebrou outra coisa que estava de pé? Ter um campo explícito pro que precisa continuar igual é exatamente o tipo de baliza que falta quando a IA sai mexendo sozinha

Steering, hooks e checkpoints: o que segura o contexto entre uma spec e outra

Uma spec resolve uma feature

Mas e o conhecimento do projeto inteiro, aquele que você repete em todo prompt?

Pra isso existe o steering: arquivos markdown na pasta .kiro/steering/ do workspace, funcionando como conhecimento persistente do projeto

Entre os arquivos de base estão o tech.md (stack e ferramentas) e o structure.md (organização de arquivos, convenções de nome e decisões arquiteturais)

É a diferença entre explicar sua convenção de pastas toda santa vez e escrever isso uma vez só

Hooks: automação amarrada em gatilho

O Kiro também tem hooks, configurados por arquivos JSON em .kiro/hooks/ no nível do workspace

Os gatilhos disponíveis incluem agentSpawn, userPromptSubmit, preToolUse, postToolUse e stop

Quem já montou agentes de IA para tarefas específicas vai reconhecer a lógica na hora: evento acontece, ação dispara, você não precisa lembrar de fazer

Checkpoints: o botão de desfazer do agente

E tem os checkpoints, gerados a cada mudança ou ação do agente

Com isso dá pra voltar quantos passos quiser

Se o agente entrou numa espiral e destroçou o que estava funcionando, você rebobina em vez de rezar pro git stash

O que aconteceu quando testei o fluxo de spec na prática

No vídeo eu aplico spec-driven development num projeto de exemplo (um gerador de QR Code), escrevendo os três documentos na mão e rodando os prompts com a IA tarefa por tarefa

Eu sugiro 3 etapas de planejamento antes de programar: requisitos, design e tarefas, podendo ser mais ou menos dependendo do projeto

Bate com as três fases que o Kiro automatiza, e não é coincidência: essa é a espinha do método

No documento de requisitos eu escrevi a visão geral do projeto, detalhei cada funcionalidade e criei uma seção explícita de "o que o app NÃO faz", justamente pra IA não inventar escopo

O documento de design não é sobre cor de botão, se liga: ali entram stack, esquema de banco, rotas, páginas, componentes e decisões técnicas

Já as tarefas eu ordenei pela sequência que faz sentido no uso: setup inicial (pastas e bibliotecas), depois a autenticação por ser complexa e vital, depois a funcionalidade principal

E cada prompt executa UMA tarefa, sendo tarefa algo concreto (uma página, um recurso), não um ajustezinho de cor

O número que resume o custo-benefício

Com o planejamento pronto, a IA construiu a autenticação desse projeto de exemplo em cerca de 2 minutos

Mas olha a leitura honesta: o tempo caro não está na geração, está no planejamento

A etapa inicial demorou bem mais, e as tarefas seguintes é que andaram rápido

Se você odeia escrever requisito, vai sentir atrito nas primeiras horas, sem romantizar

A compensação vem depois, quando os prompts seguintes ficam simples e o processo fica previsível e sequencial

No vídeo você me vê montando os três documentos do zero, explicando o que entra em cada um e rodando os prompts tarefa por tarefa

Para que tipo de projeto o spec-driven development compensa (e para qual não)

Bora ser prático

O formato faz sentido quando:

  • A feature tem regra de negócio de verdade: se existe critério de aceite pra discutir, escrever em EARS antes economiza retrabalho depois
  • O bug mexe em área sensível: a Bugfix Spec com Current, Expected e Unchanged Behavior te obriga a declarar o que não pode quebrar
  • Tem time revisando: os portões de aprovação das Feature Specs colocam a revisão no plano, não no código pronto, e existem planos para times via AWS IAM Identity Center
  • O projeto é longo e tem convenção: o steering em .kiro/steering/ guarda stack e decisões arquiteturais pra não repetir contexto toda vez

E quando NÃO compensa?

Script descartável, protótipo de dez minutos, aquela POC que você vai jogar fora amanhã

Nesses casos os três documentos custam mais caro que o próprio código, e o caminho razoável é Quick Spec ou simplesmente nada

Spec pra tudo vira burocracia, e burocracia ninguém aguenta por muito tempo

Quanto custa o Kiro: planos, créditos e modelos disponíveis

Plano Preço mensal Créditos e modelos
Free Grátis (free tier perpétuo) 50 créditos; modelos open weight e Claude Sonnet 4.6, com limites
Pro US$ 20/mês Modelos open weight e premium, incluindo Auto, Claude Sonnet 4.6 e Claude Opus 4.8
Pro+ US$ 40/mês Modelos open weight e premium, incluindo Auto, Claude Sonnet 4.6 e Claude Opus 4.8
Pro Max US$ 100/mês 5.000 créditos por mês; modelos open weight e premium, incluindo Auto, Claude Sonnet 4.6 e Claude Opus 4.8
Power US$ 200/mês Modelos open weight e premium, incluindo Auto, Claude Sonnet 4.6 e Claude Opus 4.8

Como o crédito é consumido?

Não é um crédito por prompt, e isso importa

Prompts simples podem consumir menos de 1 crédito

Prompts complexos, como executar uma tarefa de spec, costumam custar mais de 1

Ou seja, justamente o uso principal da ferramenta é o que pesa mais na conta

O processamento padrão é feito pelo Auto, um agente de roteamento que combina modelos de fronteira com modelos especializados, detecção de intenção e cache, pra equilibrar qualidade, latência e custo

E tem um detalhe de escolha de modelo: uma tarefa que consome X créditos no Auto custa 1,3X via Sonnet 4.6

Se acabar antes do mês virar, os planos individuais pagos podem comprar créditos adicionais avulsos a US$ 0,04 cada, cobrados na hora da compra

Vale a pena adotar o Kiro hoje?

O que a proposta entrega de concreto:

  • Rastreabilidade do requisito até a tarefa, com os três arquivos amarrados no mesmo fluxo
  • Artefatos versionáveis dentro do projeto, em .kiro/specs/, revisáveis como código
  • Verificação por propriedades derivadas dos próprios requisitos em EARS

O que ela cobra em troca:

  • Disciplina de ler e aprovar documento antes de ver código rodando, e isso é chato pra quem gosta da dopamina do resultado imediato
  • Consumo maior de crédito exatamente nas tarefas de spec, que são o motivo de usar a ferramenta

Minha recomendação sem hype: comece pelo free tier de 50 créditos antes de colocar US$ 20 por mês nisso

50 créditos não é muito, mas dá pra sentir se o formato combina com o seu jeito de trabalhar

Conclusão

O Kiro spec-driven development não inventa uma tecnologia nova, ele inverte a ORDEM

Em vez de gerar e depois tentar entender, você especifica, revisa e só então deixa o agente escrever

Os três arquivos (requirements.md, design.md e tasks.md) são o que sobra dessa inversão: material auditável dentro do projeto, e não um plano que evaporou junto com o chat

Se quiser testar, o caminho mais barato é claro: baixa no free tier, roda uma Quick Spec numa feature pequena e LÊ o requirements.md gerado antes de aprovar qualquer coisa

É nessa leitura que você descobre se a IA entendeu o que você quis dizer, ou se ia sair construindo outra coisa

Dá uma olhada no vídeo aí em cima pra ver o método funcionando na prática, e fica de olho que vem mais post sobre spec-driven development por aqui

até o próximo post! 😀

Perguntas frequentes

Quanto custa o Kiro da AWS por mês?

O Kiro tem um free tier perpétuo com 50 créditos mensais. Nos planos pagos individuais, o Pro custa US$ 20/mês, o Pro+ US$ 40/mês, o Pro Max US$ 100/mês (com 5.000 créditos mensais) e o Power US$ 200/mês. Quem precisar de mais também pode comprar créditos avulsos a US$ 0,04 cada.

Como funciona o consumo de créditos no Kiro?

O gasto varia por prompt e por modelo: um prompt simples pode consumir menos de 1 crédito, enquanto uma tarefa complexa de spec costuma custar mais de 1. O modelo também pesa na conta, já que uma tarefa que gasta X créditos no Auto custa 1,3X quando rodada via Claude Sonnet 4.6.

Quais modelos de IA o Kiro usa para gerar spec e código?

Por padrão o Kiro processa os prompts com o Auto, um agente de roteamento que combina modelos de fronteira com modelos especializados, cache e detecção de intenção. No free tier estão disponíveis modelos open weight e o Claude Sonnet 4.6, com limites; nos planos pagos entram também modelos premium como o Claude Opus 4.8.

O Kiro substitui o Amazon Q Developer?

Na prática sim: a AWS anunciou o fim de suporte do Amazon Q Developer, com novos cadastros indisponíveis a partir de 15 de maio de 2026 e o fim de suporte dos plugins de IDE e assinaturas pagas em 30 de abril de 2027. O Kiro é pra onde a AWS está direcionando esse público.

Quantas etapas de planejamento existem antes de começar a programar?

O fluxo de spec do Kiro tem três fases: requisitos (ou análise do bug), design técnico e tarefas de implementação, e cada uma vira um arquivo markdown no projeto. No método em si dá pra ter mais ou menos etapas conforme a complexidade, mas essas três são a espinha do spec-driven development.

Em quais sistemas operacionais o Kiro roda?

O Kiro IDE está disponível para macOS, Windows e Linux. Já o Kiro CLI roda em macOS e Linux, sem versão pra Windows por enquanto.




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