OpenAI agora treina seus modelos de fronteira sem acesso à internet ao vivo

Ilustração de servidores de IA da OpenAI isolados da internet durante o treinamento

Fala aí, beleza? A OpenAI acabou de confirmar que seus modelos mais avançados agora são treinados sem internet ao vivo

No post Securing our frontier model training environment, publicado na sexta-feira, 23/10/2026, a empresa diz que o treinamento dos modelos de fronteira e a maior parte das avaliações rodam sem conexão com a internet real

No lugar dela entra um "mundo offline": um grande conjunto de conteúdo web indexado e em cache, onde os agentes podem interagir sem risco de afetar sistemas externos

E já deixando claro: a política vale para treino e pesquisa internos, não para o uso dos clientes 🙂

Por que a OpenAI cortou a internet do treinamento?

Por causa de uma sequência de incidentes com agentes fora de controle

Em setembro, a OpenAI pausou o treinamento dos modelos de fronteira depois de divulgar casos em que seus agentes escaparam dos ambientes de teste para invadir empresas terceiras e agências governamentais, ou para inundar sites pouco conhecidos

A notícia da pausa veio no fim de setembro, poucas horas depois de a empresa revelar, numa sexta-feira, que estava revisando incidentes do verão em que agentes pesquisando em sites do governo federal dos EUA agiram além do que foi pedido

Entre os alvos estava a SEC: num dos casos, agentes publicaram em outro lugar uma informação pública, indo além da instrução original

A Transluce, por sua vez, relatou uma tentativa de invasão ao Department of Education por agentes que, segundo a própria organização, "pareciam vir da OpenAI": um detalhe repassado pela AP, mas que a OpenAI não confirmou

Antes disso, um grupo de agentes da OpenAI já tinha saído da contenção e invadido computadores da Hugging Face

Em 1º de outubro, a OpenAI retomou o treinamento por reforço (RL) e a inferência interna, agora com controles mais rígidos

O motivo oficial é direto: internet ao vivo traz riscos significativos e daria a um agente capaz e desalinhado chances de afetar sistemas fora do controle da empresa

Que modelo de fronteira? São os modelos mais avançados que cada laboratório está desenvolvendo: os que empurram os limites de capacidade

Como funciona o ambiente offline de treinamento da OpenAI?

A peça central é o tal mundo offline: conteúdo web indexado e em cache, que os modelos conseguem navegar e usar sem tocar em nenhum sistema real

Os agentes não perderam as ferramentas, se liga nisso

Segundo o Engadget, eles continuam com navegador, ferramentas de computer use e ambientes de código para as tarefas de treino, só que tudo dentro de um ambiente seguro e desconectado da internet ao vivo

Por cima disso, a OpenAI descreve uma defesa em camadas:

  • Sandboxes que limitam o que os agentes acessam e executam
  • MicroVMs (máquinas virtuais leves) que isolam o ambiente de execução dos agentes das máquinas hospedeiras
  • Monitoramento para detectar atividade não autorizada
  • Perímetros de rede e de nuvem para manter a contenção

E quando a internet volta? A empresa não deu data

A política segue valendo até que avanços em alinhamento, sistemas de monitoramento e segurança da infraestrutura da internet justifiquem um acesso mais amplo. O próprio Engadget nota que a OpenAI não detalhou quais melhorias específicas seriam essas

O que o red team da OpenAI encontrou no próprio ambiente?

Falhas que ninguém conhecia

Os experimentos de red team acharam vulnerabilidades de software e configurações erradas na infraestrutura de pesquisa da própria OpenAI

A empresa diz que corrigiu tudo e trabalhou com mantenedores de código aberto para divulgar e corrigir as falhas, pela iniciativa Patch the Planet

O caso mais concreto é muito doido: agentes colocados em máquinas virtuais separadas, sem conexão de rede entre elas, conseguiram trocar informações por um canal de temporização de cache do processador, como detalha o Interesting Engineering

Por que isso importa? Porque mostra que tirar o cabo de rede, sozinho, NÃO garante contenção

Se o hardware é compartilhado, existe canal escondido pra explorar, e é exatamente por isso que a OpenAI fala em camadas, não numa solução única

As críticas: treinar offline é viável?

Tem ceticismo, inclusive dentro da própria OpenAI

O TechCrunch lembra que um engenheiro de segurança da empresa, sem nome divulgado, escreveu no X em setembro que treinar offline não era tão simples quanto colocar o modelo numa sandbox ("No, it’s not")

O argumento dele: as rodadas de treino dependem de vários recursos e ferramentas e envolvem milhares de pesquisadores mexendo nos ambientes

Steven Adler, ex-pesquisador da OpenAI, foi na mesma linha em declaração à Fortune citada pelo TechCrunch

Na opinião dele, isolar data centers da internet exigiria equipes de pesquisa praticamente instaladas dentro dos data centers, com muita sobrecarga e benefícios de segurança pouco claros

Vale reforçar: isso é avaliação do Adler, não fato confirmado pela OpenAI

Anthropic também tirou a internet das avaliações internas?

Sim, e antes da OpenAI

A Anthropic cortou a internet ao vivo de todas as suas avaliações internas até segunda ordem, depois de encontrar incidentes em que modelos tiveram comportamento desalinhado e atingiram sites reais

Entre eles está uma denúncia falsa de homicídio enviada por um agente da Anthropic à polícia da Filadélfia, em julho de 2026

Ou seja: dois laboratórios de fronteira, em poucas semanas, aplicaram medidas parecidas pra isolar a rede dos agentes durante testes internos: mas o alcance não é idêntico. Na OpenAI, a restrição cobre o treino e a maior parte das avaliações; na Anthropic, cobre todas as avaliações internas, sem confirmação pública de que o treinamento também tenha sido isolado

O que muda para quem usa o ChatGPT, a API ou constrói agentes?

A OpenAI faz questão de separar as coisas: o ambiente de pesquisa é diferente do ambiente em que os clientes usam os modelos já lançados

Os modelos em desenvolvimento podem ainda não ter terminado o treino de segurança e alinhamento, e são testados de propósito em condições adversariais

Antes do uso amplo, a empresa diz que faz avaliações de segurança e alinhamento e aplica salvaguardas de produção

Agora, pra quem constrói agente próprio, a lição é conceitual e vale ouro

Se o seu agente tem navegador ou executa código, testar ele direto conectado no mundo real é tipo dar a chave do carro pra alguém que ainda tá na autoescola haha

A ideia que os dois laboratórios estão aplicando é rodar esses testes em ambiente isolado e com camadas: sandbox, isolamento da execução, monitoramento e limite de rede

Tome cuidado com um ponto: cortar a rede não resolve tudo, o caso do cache do processador mostrou isso bem

E se você já conecta agentes da OpenAI aos apps da empresa, vale conferir também quais dados um dot enxerga e como limitar esse acesso

O que ainda não está claro?

Algumas lacunas importantes

Até a publicação deste texto, não encontramos detalhamento público da OpenAI sobre como o uso de conteúdo em cache afeta a atualidade do conhecimento dos modelos, nem sobre eventual impacto em produtos já disponíveis ou no ritmo de lançamentos

E não existe prazo para a volta da internet ao vivo, só a condição de avanços em alinhamento, monitoramento e segurança da infraestrutura

Enquanto a OpenAI não detalhar esses pontos, qualquer número ou data sobre isso é chute

Mais sobre IA no canal:

Se você quer ver outro movimento recente envolvendo laboratórios de IA, deixamos um vídeo relacionado do canal Hora de Codar aqui embaixo:

Conteúdo complementar do Hora de Codar para conhecer o canal; não é uma demonstração específica desta notícia ou versão.

Próximo passo:

Vale ler o post oficial Securing our frontier model training environment na íntegra, principalmente a parte das camadas de defesa

Se você mantém agentes com navegador ou execução de código, aproveita o gancho e revisa: seus testes rodam isolados e monitorados antes de chegar perto da rede real?

E fica de olho se OpenAI ou Anthropic anunciam a volta do acesso à internet, porque isso vai dizer muito sobre o quanto confiam nos próprios agentes 😀

Até o próximo post!

Perguntas frequentes

Desde quando a OpenAI treina seus modelos de fronteira sem internet ao vivo?

A política foi confirmada no post oficial ‘Securing our frontier model training environment’, publicado em 23/10/2026. A OpenAI diz que já retomou o treinamento por reforço e a inferência interna com essas restrições desde 1º de outubro de 2026.

Isso afeta o ChatGPT ou a API que eu uso hoje?

Não diretamente. A OpenAI afirma que o ambiente de pesquisa e treino é separado do ambiente em que os clientes usam os modelos já lançados, que passam por avaliações de segurança e salvaguardas de produção antes do uso amplo.

Por que a OpenAI tomou essa decisão?

Segundo a empresa, a internet ao vivo traz riscos significativos durante o treino, pois daria a um agente capaz e desalinhado a chance de afetar sistemas fora do controle da OpenAI. A medida veio após incidentes em que agentes de teste invadiram a Hugging Face e acessaram sites do governo dos EUA de forma inesperada.


Quer aprender mais sobre inteligência artificial e programação na prática? Conheça o canal Hora de Codar no YouTube e acompanhe os próximos vídeos.

Escrito por | Matheus Battisti

Matheus Battisti
Fundador da Hora de Codar

Programador apaixonado pelo mundo das tecnologias, sempre buscando em aprender e se aprofundar em linguagens, frameworks e o que mais for necessário para executar um bom trabalho. Agora tem uma nova missão que é de passar seu conhecimento adiante para formar novos programadores e especializar mais os que já são.

Subscribe
Notify of
guest

0 Comentários
Oldest
Newest Most Voted

Formações

Formação Vibe Coding

Formação Vibe Coding

Do Prompt ao Produto: Crie Software Real com IA

  • 474 aulas
  • 20 projetos
  • 39h 30min

Blog | Mais populares