Como instalar o Coolify em uma VPS e publicar sua primeira aplicação

Ilustração de um servidor VPS e de uma aplicação na nuvem para o tutorial de Coolify.

O Coolify permite publicar aplicações numa VPS pelo navegador, com deploy em containers, domínio próprio e HTTPS. Você instala o painel uma vez e passa a gerenciar os projetos por ele.

Ele é instalado por um único comando, rodado como root numa VPS Linux, e a partir daí publica suas aplicações em containers Docker com HTTPS automático.

Este guia é pra quem quer um painel próprio de deploy e aceita administrar o servidor.

A VPS continua sob sua administração. O painel simplifica o deploy, mas as atualizações do sistema, as regras de acesso e os backups precisam de acompanhamento.

Requisitos oficiais do Coolify e como dimensionar a VPS

A documentação oficial do Coolify pede no mínimo 2 núcleos de CPU, 2 GB de RAM e 10 GB de disco.

Esse mínimo cobre o painel. As aplicações precisam de recursos adicionais.

Cada aplicação, banco de dados e build que você subir consome recurso por cima disso, então o tamanho real da VPS depende do que vai rodar nela.

O que o servidor precisa ter, segundo a documentação oficial:

  • Sistema operacional: distribuições baseadas em Debian (Debian, Ubuntu etc.), família Red Hat (CentOS, Fedora, AlmaLinux, Rocky etc.), SUSE, Arch Linux e Raspberry Pi OS de 64 bits
  • Arquitetura: AMD64 ou ARM64 (o Raspberry Pi OS exige ARM64)
  • Tipo de máquina: qualquer servidor Linux com acesso SSH, seja VPS, servidor dedicado, máquina virtual ou Raspberry Pi
  • Acesso root: o instalador espera rodar como root
  • Domínio próprio: opcional pro primeiro acesso, mas necessário na etapa de HTTPS

Para aprender o fluxo, reserve uma VPS sem outros serviços importantes. Isso reduz o risco de afetar uma aplicação existente durante a configuração.

E onde entra o Docker nessa história?

O script de instalação instala o Docker Engine por conta própria e cria os diretórios do Coolify no servidor.

Um container reúne a aplicação e suas dependências num ambiente isolado. O Docker executa esses ambientes no servidor.

Se você já subiu algo como WordPress com Docker Compose, a ideia é a mesma, só que aqui o Coolify monta e gerencia esses containers pra você.

Por isso RAM e disco crescem a cada serviço publicado: cada app é mais um container ocupando espaço no servidor.

Qual VPS da Hostinger escolher para rodar o Coolify

Aplicando os requisitos oficiais aos planos, a recomendação da Hora de Codar pra esse projeto é a VPS da Hostinger no plano KVM 2 (este artigo contém links de afiliado da Hostinger).

A escolha considera os requisitos publicados pelo Coolify:

  • KVM 1: 1 vCPU, 4 GB de RAM e 50 GB NVMe. Fica abaixo dos 2 núcleos mínimos do Coolify
  • KVM 2: 2 vCPU, 8 GB de RAM e 100 GB NVMe. É o primeiro plano que atende ao mínimo oficial e oferece memória adicional para as aplicações; a capacidade efetiva depende da carga

Os planos de VPS da Hostinger vão do KVM 1 ao KVM 8, que chega a 8 vCPU, 32 GB de RAM e 400 GB de NVMe, então dá pra crescer conforme os projetos aumentam.

Como cada recurso entra no tutorial:

  • Acesso root completo: é o que o instalador do Coolify exige
  • Servidor no Brasil: existe a opção de localização em São Paulo
  • AMD EPYC e SSD NVMe: são o processador e o armazenamento da VPS onde os builds e containers vão rodar
  • Backups semanais gratuitos e snapshots manuais: uma camada extra, além do backup do próprio Coolify
  • Firewall gerenciado: permite definir as regras de entrada descritas abaixo
  • Terminal no navegador: permite acessar o servidor pelo navegador

Passo a passo: instalar o Coolify e publicar a primeira aplicação

1. Prepare o acesso e o firewall

Use uma VPS Linux dedicada ao Coolify e confirme o acesso SSH. Se já houver sites ou bancos de dados no servidor, prefira outra máquina para a instalação.

No firewall do provedor, preserve a regra do SSH e libere as portas TCP necessárias:

Porta Finalidade
22 SSH, caso você use a porta padrão
80 e 443 Tráfego das aplicações e emissão de certificado
8000 Primeiro acesso ao painel
6001 e 6002 Atualizações em tempo real e terminal pelo acesso direto

Restrinja o acesso às portas administrativas ao seu IP durante a configuração. As portas 80 e 443 precisam receber o tráfego público. A documentação de firewall do Coolify detalha essas regras.

2. Instale pelo script oficial

Entre por SSH como root. Se o Docker já estiver instalado via snap, remova-o antes de continuar: essa forma de instalação não é suportada pelo Coolify.

Este é o comando publicado pelo projeto. Ele instala o Docker Engine e outras ferramentas essenciais e cria os diretórios em /data/coolify. Confira a origem do script e use a máquina reservada para o tutorial antes de rodá-lo com privilégios de administrador.

curl -fsSL https://cdn.coollabs.io/coolify/install.sh | bash

Aguarde o instalador concluir e exibir as instruções de acesso. Não execute esse comando na VPS que já atende seus clientes para experimentar o painel.

3. Crie sua conta e guarde os segredos

Abra http://IP-DO-SERVIDOR:8000 e crie a conta de administrador assim que a instalação terminar. Enquanto a tela de cadastro estiver acessível publicamente pelo IP, evite divulgar esse endereço antes de concluir esse passo.

Guarde uma cópia de /data/coolify/source/.env em local privado e fora da VPS. Esse arquivo contém o APP_KEY, que a documentação do Coolify orienta guardar separadamente porque ele criptografa os segredos salvos no banco da instância. Não envie seu conteúdo para Git ou para um repositório público.

4. Publique uma aplicação pequena para validar o caminho

Para o primeiro deploy, vamos usar a imagem pronta nginx:alpine. Assim você verifica o painel e o roteamento antes de adicionar um repositório e um build próprios, sem precisar de um repositório Git.

Crie um projeto, adicione um recurso do tipo Docker Image, informe nginx:alpine e exponha a porta 80, que é a porta interna dessa imagem. Salve, acione o deploy, acompanhe o log e abra o endereço apresentado pelo painel. O resultado esperado é a página inicial do Nginx. Se o recurso não iniciar, examine o log antes de alterar DNS ou certificado.

Esse exemplo acompanha o guia oficial de primeiro deploy.

5. Aponte seu domínio e habilite HTTPS

No DNS do seu domínio, adicione um registro A para a aplicação:

Tipo: A
Nome: app
Valor: IP-DO-SERVIDOR

Substitua os exemplos pelo seu domínio e IP reais. Na aplicação, abra Domains > Add domain, escolha o protocolo https e informe app.seudominio.com.br no campo Domain. Confira a porta interna, salve e refaça o deploy. O proxy precisa alcançar as portas públicas e o DNS precisa apontar para a VPS para emitir o certificado.

Use outro subdomínio para o painel, por exemplo painel.seudominio.com.br, também apontando para o servidor. Na configuração da instância, abra Settings > General e preencha URL com o endereço HTTPS do painel. A documentação de domínios descreve essa configuração. Confira os dois acessos antes de restringir as portas administrativas.

Como verificar se o deploy e o HTTPS funcionaram

Antes de considerar a instalação pronta, confira:

  • O painel abre pelo domínio configurado em URL nas configurações da instância
  • A aplicação responde em https://app.seudominio.com.br com certificado válido (cadeado no navegador, sem alerta)
  • O registro A do subdomínio aponta pro IP do servidor

Com tudo isso confirmado e o painel sendo acessado pelo domínio com o proxy integrado, as portas 8000, 6001 e 6002 podem ser fechadas.

No cenário deste guia, mantenha as portas de SSH e HTTP/HTTPS necessárias. Outros serviços podem exigir regras próprias.

Erro comum: fechar as portas do painel antes de confirmar o acesso pelo domínio. Você pode perder o acesso ao painel; mantenha o SSH disponível durante essa conferência.

Backups da instância e do servidor

Depois do primeiro deploy, configure a manutenção da instância e das aplicações.

Backup da instância

Em Settings > Backup, configure a rotina de cópia e confira o resultado das execuções. Guarde uma cópia fora da VPS e teste a restauração em outra máquina.

Salve também o APP_KEY do arquivo /data/coolify/source/.env em um local privado. O backup do banco da instância não inclui esse arquivo, e a chave é necessária para ler os segredos criptografados depois da restauração.

Planeje separadamente as cópias dos bancos e dos volumes das suas aplicações. Confira exatamente quais dados cada rotina inclui antes de depender dela para recuperar um projeto.

E o servidor em si?

O sistema operacional continua sob sua administração: atualizações de segurança, firewall e espaço em disco são com você.

Nos planos de VPS da Hostinger, os backups semanais gratuitos e os snapshots manuais entram como camada complementar.

Mantenha as cópias do servidor e da instância organizadas e confira como recuperar os dados das aplicações.

Outra ferramenta self-hosted numa VPS: n8n

Se você curte a ideia de rodar as próprias ferramentas no servidor, no canal tem um vídeo sobre como instalar o n8n numa VPS.

Ele mostra outra aplicação hospedada numa VPS. Use como conteúdo complementar; o procedimento de instalação do Coolify é o apresentado neste artigo.

Vídeo complementar sobre n8n em uma VPS. A instalação do Coolify segue os passos deste artigo.

Próximo passo depois da primeira aplicação no Coolify

Antes de subir um banco de dados ou uma segunda aplicação, olhe quanto de RAM e disco ainda sobra além do mínimo do Coolify.

Se for publicar vários recursos em subdomínios, um registro DNS wildcard (A * -> IP-DO-SERVIDOR) cobre os subdomínios de uma vez, mas não substitui o registro do domínio raiz, que precisa ser configurado separadamente.

Valide a restauração numa máquina separada usando os segredos guardados e os backups correspondentes. Não substitua a instância em uso para testar a recuperação.

Se ainda está escolhendo onde rodar tudo isso, dá pra conferir a VPS para este projeto partindo do KVM 2, que é o menor plano que atende ao mínimo oficial.

Quer aprender mais sobre inteligência artificial e programação na prática? Conheça o canal Hora de Codar no YouTube e acompanhe os próximos vídeos.

Escrito por | Matheus Battisti

Matheus Battisti
Fundador da Hora de Codar

Programador apaixonado pelo mundo das tecnologias, sempre buscando em aprender e se aprofundar em linguagens, frameworks e o que mais for necessário para executar um bom trabalho. Agora tem uma nova missão que é de passar seu conhecimento adiante para formar novos programadores e especializar mais os que já são.

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