Como testar o GPT-6 Astra em tarefa de agente: o que observar além da resposta final

Testar GPT-6 Astra em tarefa de agente é diferente de testar um chat: a resposta final esconde o caminho que o modelo percorreu. O que vale acompanhar é o meio da execução, quais arquivos foram tocados, quais comandos rodaram e quantas voltas o laço deu antes de parar. Dá pra fazer isso com o log de eventos do codex exec --json, com o tracing do Agents SDK (ligado por padrão) e com os eventos de resumo de raciocínio da Responses API. E dá pra cortar cedo: no Codex CLI, Esc interrompe a tarefa ativa sem encerrar a sessão 🙂
Fala aí, beleza? A OpenAI soltou o GPT-6 Astra no dia 3 de setembro de 2026, apresentado como o modelo mais capaz dela pra trabalho de ponta a ponta: raciocínio complexo, código, uso de computador, pesquisa e criação de documentos
E aí todo mundo correu pra fazer a mesma coisa: mandar uma tarefa, esperar, ler a resposta final e dar veredito
Só que em tarefa de agente a resposta final é a parte MENOS informativa do teste
Agente não responde, ele roda
Ele escolhe ferramenta, executa, olha o retorno, decide de novo, e faz isso quantas vezes achar necessário
Duas execuções podem terminar com o mesmo texto bonito no final, sendo que uma resolveu em três voltas e a outra ficou quinze minutos reescrevendo o mesmo arquivo em círculo
Então a régua muda: pra testar o GPT-6 Astra em tarefa que roda sozinha, você precisa olhar o caminho, não o destino
O que você precisa antes de começar o teste
Três coisas, e nenhuma delas é opcional
1. Acesso ao modelo
O identificador na API da OpenAI é gpt-6-astra, e ele também está disponível via Microsoft Azure e Amazon Bedrock
Tome cuidado com uma coisa aqui: o rollout começou faseado em 3 de setembro de 2026, restrito a um conjunto limitado de organizações, com liberação gradual pra ChatGPT Plus, Pro, Business e Enterprise além da API
O lançamento foi confuso mesmo, com muita gente assinante ficando sem acesso imediato, e a empresa foi ampliando o acesso aos poucos
Ou seja: se você abriu e não achou, não é bug seu
2. Um ambiente que te deixe ver o meio da execução
Tem três caminhos razoáveis: o Codex CLI, o Agents SDK (que já vem com tracing ligado por padrão) ou a Responses API direto
Se você estava pensando na Assistants API, esquece: ela foi encerrada em 26 de agosto de 2026, e a Responses API é o caminho atual pra construir agente na OpenAI
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3. Noção de custo, antes de rodar e não depois
Agente queima token de um jeito que chat não queima, porque cada volta reenvia contexto
| Modalidade | Preço por 1 milhão de tokens |
|---|---|
| Entrada (Standard) | US$ 10 |
| Saída (Standard) | US$ 50 |
| Entrada em cache | US$ 1,00 |
| Batch e Flex | 50% das taxas Standard |
| Fast | 2x o preço Standard, até 2x a velocidade |
E se liga nisso, que é a pegadinha do teste longo: acima de 272 mil tokens de entrada, a requisição INTEIRA passa a 2x nas taxas de input e cache e 1,5x no output
Não é só o excedente, é a requisição toda
Como testar o GPT-6 Astra em tarefa de agente, passo a passo
Bora ver na prática?
- Defina a tarefa de várias etapas e o critério de sucesso ANTES de rodar
Escreva numa linha o que conta como "deu certo": o teste passa, o arquivo existe com tal conteúdo, o relatório cita tal fonte
Se o critério só nasce depois que você leu a saída, você não testou o modelo, você racionalizou o resultado dele
O erro comum deste passo: tarefa vaga tipo "melhore o projeto", que nenhuma execução consegue falhar nem passar
- Ligue o registro de eventos
No modo não interativo do Codex, a flag --json transforma o stdout num stream JSON Lines com os eventos emitidos durante a execução, um por mudança de estado
codex exec --json "refatore o módulo de autenticação e rode os testes" > execucao.jsonl
Depois você lê o arquivo com calma, no seu ritmo, em vez de tentar acompanhar texto passando na tela
O erro comum deste passo: rodar sem redirecionar, perder o stream e ficar só com a última tela do terminal
- Use o tracing do Agents SDK e abra a execução no painel
O tracing vem habilitado por padrão e registra gerações do modelo, chamadas de ferramenta, handoffs e guardrails
Cada execução vira um Trace e cada chamada de modelo, ferramenta, guardrail ou handoff vira um Span
Dá pra inspecionar tudo no dashboard em platform.openai.com/traces
Ler o Trace de cima pra baixo é o mais próximo que você chega de ver o agente pensando
O erro comum deste passo: desligar o tracing "pra não poluir" e ficar cego justamente na parte que interessa
- Abra cada chamada de ferramenta pelo span dela
O function_span registra os argumentos de entrada, o valor de retorno e a latência da chamada
É daí que sai a resposta pras perguntas que realmente importam: qual arquivo foi tocado, qual comando foi executado, o que voltou
Quando a mesma ferramenta aparece com argumentos quase idênticos várias vezes seguidas, você já tem o diagnóstico na mão
O erro comum deste passo: olhar só a latência total e ignorar o conteúdo do retorno, que é onde mora o motivo do retrabalho
- Conte as voltas do laço e trave o limite
O Runner.run aceita o parâmetro max_turns, e ao estourar o limite é lançada a exceção MaxTurnsExceeded
try:
result = await Runner.run(
agente,
"refatore o módulo de autenticação e rode os testes",
max_turns=12,
)
except MaxTurnsExceeded:
print("estourou o limite de voltas, hora de olhar o trace")
Esse número não é chute pra sempre: rode uma vez com folga, veja quantas voltas a tarefa realmente pede, e aperte depois
O erro comum deste passo: deixar sem limite nenhum e descobrir o problema pela fatura
- Acompanhe o raciocínio em streaming
A Responses API emite eventos específicos pro resumo de raciocínio do modelo
response.reasoning_summary_text.delta (trecho parcial)
response.reasoning_summary_text.done (texto completo do resumo)
O .delta te dá o acompanhamento ao vivo, o .done te dá o bloco fechado pra guardar junto do resto do log
O erro comum deste passo: tratar o resumo de raciocínio como prova do que aconteceu, quando a prova mesmo é a chamada de ferramenta
- Repita a mesma tarefa
Uma execução é anedota
Rode a mesma tarefa duas ou três vezes e compare caminho com caminho: mesmas ferramentas? mesma ordem? mesmo número de voltas?
A própria OpenAI divulgou comparação separando tarefa resolvida em uma única tentativa de tarefa resolvida em até quatro, o que já diz bastante sobre a importância de repetir
O erro comum deste passo: mudar o prompt entre as rodadas e achar que ainda está medindo consistência
- Anote tokens e custo da rodada
Fecha a planilha: tokens de entrada, tokens de saída, quanto entrou em cache, e se a rodada cruzou os 272 mil tokens de entrada (porque aí a faixa de preço muda pra requisição inteira)
O erro comum deste passo: comparar duas execuções pelo tempo de relógio, ignorando que uma delas custou várias vezes mais
Agente em loop: como reconhecer e interromper cedo
Agente travado não avisa que travou
Ele continua parecendo ocupado, e é aí que a conta cresce
Sintomas que aparecem no meio da execução:
- o mesmo arquivo aparecendo tocado repetidas vezes nos spans de ferramenta
- o mesmo comando executado de novo, com argumentos quase iguais
- as voltas subindo no log de eventos sem nenhuma mudança de estado real
- retorno de ferramenta idêntico voltando várias vezes seguidas
Causa provável: a tarefa não tem critério de parada explícito, então o modelo fica tentando "melhorar" algo que já estava pronto, ou insiste num caminho que devolve o mesmo erro
O corte, no Codex CLI:
- Esc interrompe a tarefa em execução, sem encerrar a sessão
- Ctrl+C ou o comando
/exitfecham a sessão, o que é uma ação diferente (cuidado pra não confundir as duas na pressa) - Esc duas vezes com o campo de texto vazio edita a mensagem anterior e cria um fork do chat, ou seja, você volta pro ponto onde deu ruim e tenta outro caminho sem perder tudo
Esse fork é a jogada mais subestimada do teste: em vez de recomeçar do zero, você bifurca exatamente na volta em que o agente entrou no buraco
O Codex CLI ainda tem comandos de barra pra dirigir a sessão em andamento, como /model, /fast, /personality, /permissions, /approve, /raw, /agent e /status
Prevenção, e aqui muda o escopo: o critério de parada você escreve dentro da própria tarefa, em qualquer ambiente
Já o max_turns é parâmetro do Runner.run do Agents SDK (aquele do passo 5), não uma opção do Codex CLI, então ele entra quando o seu teste roda pelo SDK
Duas linhas de configuração que valem mais que qualquer detector esperto
Três tarefas de agente que revelam coisas diferentes
Uma tarefa só não testa o modelo, testa um humor dele
1. Tarefa de código multi-arquivo
Peça algo que obrigue a mexer em três ou quatro arquivos relacionados e rodar os testes no fim
O que isso expõe: quantos arquivos foram tocados de verdade, quanto de retrabalho apareceu (arquivo editado, desfeito e editado de novo) e se o agente rodou o teste antes ou depois de declarar vitória
2. Tarefa de uso de computador
A OpenAI reporta 72,6% no OSWorld 2.0, número divulgado pela própria empresa no anúncio, então trate como o que é: um dado do fabricante, não um veredito independente
Esse tipo de tarefa expõe outra coisa, que é a recuperação depois do erro: clicou no lugar errado, e aí?
Se você ainda está decidindo que tipo de trabalho faz sentido delegar assim, vale entender o uso de computador no GPT-6 Astra antes de montar o roteiro
3. Tarefa longa de pesquisa ou documento
Essa é a que estressa contexto: 1.050.000 tokens de contexto e até 128.000 tokens de saída
É também a que faz a conta virar de faixa, porque passar de 272 mil tokens de entrada joga a requisição inteira pra 2x no input e no cache e 1,5x no output
E quando a entrega é grande, o teto de saída começa a pesar: vale planejar o fatiamento sabendo do limite de 128 mil tokens de saída em vez de descobrir com o texto cortado no meio
Falando em número da própria empresa, a comparação que a OpenAI divulgou entre Astra e o GPT-5.6 Sol foi essa:
| Resolução de tarefas (dado da OpenAI) | GPT-6 Astra | GPT-5.6 Sol |
|---|---|---|
| Em uma única tentativa | 88,0% | 55,9% |
| Em até quatro tentativas | 99,2% | 68,7% |
Repare no que a segunda linha conta: a diferença entre uma tentativa e quatro é exatamente o assunto deste post
O caminho importa
O que aprendi observando agentes rodarem sozinhos
Não testei o Astra pra escrever isso, e não vou fingir que testei
Mas eu já montei agente do zero e gravei o processo, e foi ali que caiu a ficha sobre olhar o meio da execução
No vídeo abaixo eu mostro a criação de um agente de IA no n8n, e começo justamente separando workflow de agente, porque vejo MUITA gente confundindo os dois no início
Workflow tem começo, meio e fim, roda da esquerda pra direita, mesmo quando tem bifurcação ou uso de LLM no meio
No agente é diferente: as ferramentas ocupam o lugar dos passos, e ele decide sozinho quais usar e em qual ordem, podendo repetir a mesma ferramenta várias vezes
É por isso que muita gente troca agente por workflow depois de um tempo: cria o agente achando que é melhor pra situação, e só com o uso percebe que um workflow resolvia
A parte que mais transfere pro teste do Astra é a tela de debug
O chat de teste fica dividido: à esquerda as mensagens trocadas, à direita a área que exibe as ações e as etapas que o agente executou pra chegar na resposta
No começo você nem olha pra direita
Depois, quando o agente passa a fazer mais coisas entre uma etapa e outra, é só pra lá que você olha
Teve um momento no vídeo que resume tudo: eu digo meu nome, o agente responde usando meu nome, e logo em seguida pergunto qual é o meu nome, e ele responde que não sabe porque a informação não foi passada
A resposta final estava impecável nas duas vezes
O caminho é que estava quebrado (faltava memória)
Agente que faz operação em sequência ou várias interações com o usuário PRECISA manter contexto: pensa num agente de WhatsApp tentando vender um produto sem conseguir segurar o fio da conversa 😅
Outras coisas que ficaram comigo dali e valem pra qualquer teste:
- comece pelos modelos mini nos testes, gasta menos na conta da OpenAI
- se o resultado já sai bom com um modelo mais fraco, com um melhor tende a ficar melhor ainda, desde que tudo esteja bem configurado (não dá pra ter certeza absoluta, depende da configuração estar bem feita)
- extraia o máximo das ferramentas simples antes de complicar: memória simples salva na própria ferramenta resolve boa parte dos agentes, e é bem mais fácil que partir direto pra nó de memória com banco de dados
- documentação é a melhor referência quando você está fazendo algo novo, e o próprio painel costuma te oferecer o link das docs na hora de criar a credencial
- salve manualmente, senão o trabalho se perde (já me ferrei com isso)
O nó de agente sozinho não faz nada até receber o chat model, que é a única configuração obrigatória
Muda a ferramenta, muda o modelo, mas a lição é a mesma: o agente só ganha utilidade quando você monta o conjunto e olha o painel de execução pra entender as etapas, em vez de julgar pelo texto que aparece no fim
O próximo passo: monte seu roteiro de teste antes de rodar
O veredito vem do caminho, beleza?
Quantos arquivos foram tocados, quais comandos rodaram, quantas voltas o laço deu, quanto disso foi retrabalho
O texto final é só a última linha do log
Próximo passo concreto, e dá pra fazer hoje: escolhe UMA tarefa de várias etapas, escreve o critério de sucesso, define o max_turns se o teste for pelo Agents SDK, liga o log de eventos e roda duas vezes
Compara os dois caminhos, não as duas respostas
Duas ressalvas pra fechar
Custo: Batch e Flex saem a 50% das taxas Standard, então bateria de teste que não precisa de resposta na hora não tem motivo pra rodar no Standard
E cuidado redobrado com o escopo do que você entrega pro agente: o GPT-6 Astra é o primeiro modelo da OpenAI classificado no nível Critical de capacidade em cibersegurança do Preparedness Framework, ou seja, com ferramentas e acesso adequados ele pode encontrar falhas desconhecidas e desenvolver formas de explorá-las sem orientação humana passo a passo
Não é motivo pra pânico, é motivo pra pensar duas vezes em quais permissões e quais credenciais ficam ao alcance da sessão de teste
Monta o roteiro, roda, e volta no log 😀
até o próximo post!
Perguntas frequentes
Quanto custa rodar uma tarefa de agente longa no GPT-6 Astra?
No preço padrão, a API cobra US$ 10 por 1 milhão de tokens de entrada e US$ 50 por 1 milhão de saída, com cache de entrada saindo por US$ 1,00 por 1 milhão. O detalhe que pega quem testa tarefa longa: acima de 272 mil tokens de entrada, a requisição inteira passa a 2x nas taxas de input e cache e 1,5x no output, não só o excedente. Batch e Flex custam 50% do Standard, e o modo Fast cobra 2x o preço padrão por até 2x a velocidade.
Qual a diferença entre interromper e encerrar uma sessão no Codex CLI durante um teste?
Esc interrompe a tarefa que está rodando naquele momento, sem fechar a sessão, então dá pra ajustar o rumo sem perder o contexto acumulado. Já Ctrl+C ou o comando /exit encerram a sessão inteira. E tem um atalho útil pra quando o teste sai do rumo: dois toques em Esc com o campo de texto vazio deixam editar a mensagem anterior e criam um fork da conversa a partir dali.
Como saber se o GPT-6 Astra entrou em loop numa tarefa de agente?
O jeito mais direto é travar um limite de voltas: o Runner.run do Agents SDK aceita o parâmetro max_turns, e quando a tarefa estoura esse número a exceção MaxTurnsExceeded é lançada. Isso transforma um comportamento que você só perceberia lendo a fatura em algo que estoura na hora, com o trace ali do lado pra você ver onde travou.
O GPT-6 Astra consegue processar áudio ou vídeo numa tarefa de agente?
Não. O GPT-6 Astra aceita apenas texto e imagem como entrada, e devolve somente texto, sem áudio nem vídeo. Isso importa pra desenhar o teste: se a tarefa depende de transcrição de áudio ou geração de vídeo, esse não é o encaixe certo.
Dá pra confiar no resumo de raciocínio do GPT-6 Astra como prova do que ele fez?
Não isoladamente. A Responses API emite response.reasoning_summary_text.delta durante o processo e response.reasoning_summary_text.done com o texto fechado, o que ajuda a acompanhar o andamento. Mas a prova real do que aconteceu é a chamada de ferramenta: o function_span registra os argumentos de entrada, o retorno e a latência de cada execução.
Por que a Assistants API não serve mais pra testar agente da OpenAI?
Porque ela foi encerrada em 26 de agosto de 2026. Quem quiser montar e testar agente na OpenAI hoje usa a Responses API, que é o caminho atual pra isso e é a mesma que emite os eventos de streaming do resumo de raciocínio citados neste post.
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