Claude Code em projeto de cliente: o que combinar antes de usar o agente no código de outra pessoa

Claude Code em projeto de cliente: o que combinar antes de usar o agente
Resposta rápida

Rodar o Claude Code em projeto de cliente não é decisão só técnica, é acordo. Em contas de consumidor (Free, Pro e Max), as sessões de código entram em treinamento se a configuração de melhoria do modelo estiver ligada, com retenção de 5 anos ligada e 30 dias desligada. Sob termos comerciais (Team, Enterprise, API e plataformas de terceiros) não há treinamento por padrão, só com opt-in expresso. Antes do primeiro comando, combine com o cliente qual conta você usa, o que fica fora do contexto e registre isso por escrito

Fala aí, beleza? Tem um momento que quase todo freela já viveu: clonar o repositório do cliente, abrir o terminal na pasta e mandar o agente trabalhar, sem ter avisado ninguém

O problema aqui não é técnico

É de acordo: código que pertence a outra pessoa sai da máquina de alguém e passa por um serviço que o cliente não contratou, não avaliou e talvez nem saiba que existe

E o pior cenário não é o agente errar uma refatoração

O pior cenário é o cliente descobrir depois 😬

Por que essa conversa virou obrigatória agora

Até pouco tempo atrás dava pra tratar isso como detalhe de bastidor

Hoje tem pano de fundo suficiente pra qualquer cliente minimamente atento fazer a pergunta

Em 28 de agosto de 2025 a Anthropic anunciou mudanças nos Termos do Consumidor e na Política de Privacidade, e usuários existentes tiveram que fazer a escolha sobre uso dos dados até 28 de setembro de 2025 pra continuar usando o Claude

Ou seja: o tema saiu do rodapé do contrato e virou uma decisão explícita de quem usa

No Brasil, a ANPD publicou o Mapa de Temas Prioritários para o biênio 2026-2027 com quatro temas, e um deles é inteligência artificial e tecnologias emergentes no contexto do tratamento de dados pessoais

E tem o PL 2338/2023, a proposta de marco legal da IA, aprovado pelo plenário do Senado em 10 de dezembro de 2024 e enviado à Câmara dos Deputados

Não vou fingir que sei como isso termina, porque a tramitação segue e eu não tenho dado confirmado sobre o desfecho

Mas o recado pro freelancer é simples: o assunto está na mesa, e o cliente vai perguntar

Melhor você chegar com a resposta pronta do que ser pego de surpresa numa call de alinhamento

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O que muda conforme o plano em que o Claude Code roda

Aqui mora o critério que quase ninguém checa antes de assinar um projeto

A regra de uso dos dados NÃO é a mesma em todo lugar, ela depende de em qual conta o agente está rodando

Se liga na diferença:

Onde o Claude Code roda Treinamento com suas sessões Retenção
Contas de consumidor (Free, Pro, Max) Sessões de código entram em treinamento se a configuração de melhoria do modelo estiver ligada 5 anos com a opção ligada, 30 dias com ela desligada
Termos comerciais (Team, Enterprise, API, plataformas de terceiros) Sem treinamento de modelos generativos por padrão, salvo opt-in expresso do cliente Conforme o produto e o acordo (os casos de API e de Enterprise estão detalhados nas duas linhas abaixo)
↳ API da Anthropic Sem treinamento por padrão Entradas e saídas apagadas no backend em até 30 dias, salvo retenção maior sob controle do cliente ou acordo diferente
↳ Enterprise Sem treinamento por padrão Controles customizados de retenção configuráveis, e ZDR mediante aprovação

As duas últimas linhas não são categorias novas, são o recorte fino da linha comercial: se a conta é API ou Enterprise, vale o detalhe delas

Repara no detalhe que derruba muita gente: a linha de cima é a SUA conta pessoal

Se você paga um plano de consumidor do próprio bolso e usa ele no repositório do cliente, quem rege o tratamento daquele código é o termo de consumidor, não o contrato corporativo do cliente

A configuração de privacidade sobre treinamento pode ser alterada a qualquer momento em claude.ai/settings/data-privacy-controls, e desligar a opção faz a Anthropic não usar chats e sessões de código anteriores nem novos em treinamentos futuros

E isso não é interpretação minha esticando o painel do chat pro terminal: quem diz que esse controle da conta de consumidor vale também pro Claude Code usado por ela é a própria documentação de uso de dados do Claude Code

E se o cliente permite, mas com ressalva?

Quando o uso pra melhorar o Claude está permitido, a Anthropic desvincula os dados do ID de usuário antes de qualquer revisão, limita o acesso a um número pequeno de pessoas envolvidas no treinamento e usa ferramentas pra filtrar ou ofuscar dados sensíveis

Isso é informação útil pra conversa, não é carta branca

Cliente com código sob NDA de terceiro geralmente quer a via comercial mesmo

E quando o cliente exige que nada saia da nuvem dele?

Aí entra o caminho por provedor

O Claude Code pode rodar via Amazon Bedrock com CLAUDE_CODE_USE_BEDROCK=1 ou via Google Vertex AI com CLAUDE_CODE_USE_VERTEX=1, e também dá pra escolher a opção de plataforma de terceiros no prompt de login

No Vertex, o tratamento de dados é regido pelo Google Cloud

Acordos de retenção zero de dados (ZDR) existem mediante aprovação da Anthropic e se aplicam a APIs elegíveis, a produtos que usam a chave de API da organização comercial (incluindo o Claude Code acessado via API) e ao Claude Code em planos Enterprise

O caminho indicado nesse caso é falar com o time de vendas, e essa é uma decisão do cliente, não sua

A pergunta que você faz muda conforme o caso:

  • Cliente pequeno, projeto sem NDA de terceiro: "posso usar meu plano pessoal? Nesse caso eu deixo a configuração de melhoria do modelo desligada"
  • Cliente com política interna de dados: "você me libera um assento na conta da empresa ou uma chave de API da organização?"
  • Cliente com exigência forte de retenção: "vocês têm Enterprise ou acordo de ZDR? Se tiverem, eu rodo por ali"
  • Cliente que já vive dentro de um provedor de nuvem: "prefere que eu rode via Bedrock ou Vertex, usando a conta de vocês?"

Como registrar a combinação com o cliente, passo a passo

Não é papelada, é uma conversa de dez minutos que você faz uma vez e nunca mais precisa refazer naquele projeto

  1. Declare, antes de começar, que um agente de IA participa do desenvolvimento e em qual conta ele roda

Frase pronta que funciona: "eu uso o Claude Code no desenvolvimento, e preciso combinar com você em qual conta ele vai rodar neste projeto"

O erro comum deste passo: falar em "uso IA pra me ajudar" de forma vaga, o que soa como autocomplete e depois vira discussão quando o cliente descobre que o agente lia e editava arquivos do repositório

  1. Pergunte se o código do projeto tem restrição contratual de terceiros

Muito cliente é intermediário: ele te contrata, mas o código é do cliente DELE

A pergunta certa é "esse repositório está sob algum NDA ou contrato com terceiro que limite o uso de serviços externos?"

O erro comum deste passo: aceitar um "acho que não" e seguir em frente, quando quem responde não é quem assinou o contrato

  1. Combine o que fica de fora do contexto

Segredos, credenciais, dados de cliente final, dump de banco com dado real

Isso não é assunto de configuração, é higiene de projeto: o que não deveria estar no repositório também não deveria entrar no contexto do agente

O erro comum deste passo: deixar .env de produção no diretório em que você roda o agente, porque "é só local"

  1. Escolha o modo de acesso conforme a exigência do cliente

Se o cliente exige termos comerciais, o caminho é a conta comercial dele ou a chave de API da organização

Se ele exige a própria nuvem, ficam as variáveis de ambiente do provedor:

CLAUDE_CODE_USE_BEDROCK=1
CLAUDE_CODE_USE_VERTEX=1

Lembrando que no Vertex o tratamento de dados passa a ser regido pelo Google Cloud, o que muda quem responde a pergunta "onde meu código ficou?"

O erro comum deste passo: assumir que o seu plano pessoal segue a regra da empresa do cliente

Não segue, são termos diferentes, e a diferença está na tabela ali de cima

  1. Registre por escrito o que foi acordado

Email, mensagem no canal do projeto, um parágrafo na proposta, tanto faz o formato: o que importa é ter data e texto

Registre quatro coisas: que um agente de IA participa do desenvolvimento, em qual conta ele roda, o que fica fora do contexto e quem aprovou

O erro comum deste passo: combinar tudo em call e não deixar rastro nenhum, então seis meses depois é a sua palavra contra a memória de alguém

O rastro que fica na sua máquina e no serviço

Essa parte quase ninguém comenta, e é onde o freelancer se complica sozinho

Tem rastro local, e tem rastro do lado do serviço

  1. Transcrições locais: o cliente Claude Code guarda transcrições de sessão localmente, em texto plano, em ~/.claude/projects/, por 30 dias por padrão, pra permitir retomar sessões

O período é ajustável pela configuração cleanupPeriodDays

Texto plano, na sua máquina, com o que vocês conversaram sobre o código do cliente

  1. O comando /feedback: transcrições enviadas por ele são retidas por 5 anos e podem ser usadas pela Anthropic pra melhorar produtos e serviços

Mandar feedback é ótimo pro produto, só não mande com trecho de código de cliente dentro sem ter combinado antes

  1. Sessão sinalizada: se a conversa ou sessão for sinalizada pelos sistemas automáticos de confiança e segurança como violação da Política de Uso, a Anthropic retém entradas e saídas por até 2 anos e os scores de classificação por até 7 anos
  1. Telemetria operacional: o Claude Code envia métricas de uso e relatórios de erro, e isso pode ser desligado com DISABLE_TELEMETRY=1 e com CLAUDE_CODE_DISABLE_NONESSENTIAL_TRAFFIC, que podem ser gravadas no settings.json

Detalhe importante pra não virar paranoia: essas métricas nunca incluem código, prompts ou caminhos de arquivo

Se quiser conferir a fonte inteira dessas regras, ela está na documentação de uso de dados do Claude Code

Agora o ponto prático que fecha a seção

Notebook de freelancer costuma ter o histórico de mais de um cliente lado a lado, na mesma pasta, na mesma máquina

Não é hipótese, é a rotina de quem toca três projetos ao mesmo tempo

Então vale olhar pro seu ~/.claude/projects/ uma vez com calma, sabendo o que tem ali dentro 🙂

O que a prática mostra sobre o contexto que o agente enxerga

Agora deixa eu contar o lado que só aparece quando você senta e roda

No vídeo eu monto um projeto do zero com o Claude Code, e a primeira coisa que acontece dentro da pasta é o agente pedindo permissão pra trabalhar naquele diretório

Antes disso, nada

É um bom lembrete de que o "diretório" é a unidade de trabalho dele, não o arquivo que você abriu

Ele começou no modo que pede autorização antes de editar, e mostrei na prática o efeito disso: o agente parava e perguntava a cada arquivo que precisava tocar

O desenvolvimento fica bem pausado, e é justamente esse o ponto

Dá pra alternar entre os modos disponíveis (planejamento, perguntar antes de editar e o que executa tudo sozinho) clicando na indicação do modo ou com shift+tab

E aqui vai a recomendação que eu repito no vídeo: em projeto em equipe ou trabalhando pra uma empresa, deixe sempre nos modos mais pausados, pra você entender o que está acontecendo antes de o agente sair mudando tudo

O modo automático, que faz tudo e entrega, eu reservo pra quem está sozinho no próprio projeto, no estilo vibe coding

Cada modo precisa ser testado por cada pessoa também, porque o que se adapta ao meu jeito de trabalhar pode não ser o seu

Depois de cada tarefa eu abro o raciocínio (thinking) e o resumo final, pra ver como ele planejou e o que executou passo a passo

E ele pede permissão de novo sempre que esbarra numa nova dúvida ou ação, então o ritmo do trabalho fica ditado por essas confirmações

O mesmo fluxo serve pra projeto novo e pra continuar um projeto que já existe: na demonstração eu rodei um prompt pedindo pro agente detectar o que havia no diretório, que estava vazio ali

No código de cliente esse mesmo prompt encontra um projeto inteiro, e é aí que a conversa precisa já ter acontecido

Se o seu caso é justamente pegar uma base antiga e mexer, vale ver antes como refatorar um projeto legado sem quebrar tudo, porque a régua de cuidado é a mesma

E se você já pensa em distribuir o trabalho, dá pra entender quando usar subagentes no seu projeto, lembrando que cada peça a mais é mais gente lendo o repositório do cliente

Uma honestidade aqui: eu não vou te dizer exatamente quanto do projeto sobe pro servidor em cada sessão, porque não achei documentação verificável que detalhe isso arquivo por arquivo

E não vou chutar número em post, isso é papo de achismo

O que a prática mostra é o que basta pra decisão: você concede acesso ao diretório, o agente varre o projeto pra entender onde está, e a partir daí o trabalho acontece dentro daquele contexto

Por isso a combinação com o cliente é ANTES do primeiro comando, não depois do primeiro commit

Conclusão

Usar o Claude Code em projeto de cliente não é problema por si só

O risco real é o silêncio: não avisar, não perguntar e não registrar

Recapitulando o que dá pra fechar hoje:

  • Conta de consumidor (Free, Pro, Max) tem sessão de código entrando em treinamento se a configuração de melhoria do modelo estiver ligada, com 5 anos de retenção ligada e 30 dias desligada
  • Termos comerciais (Team, Enterprise, API e plataformas de terceiros) não treinam por padrão, só com opt-in expresso
  • Dentro dessa faixa comercial, a API apaga entradas e saídas no backend em até 30 dias, e o Enterprise tem retenção customizada, com ZDR mediante aprovação
  • Bedrock e Vertex são o caminho quando o cliente quer rodar pela nuvem dele
  • Sua máquina guarda transcrição em texto plano em ~/.claude/projects/ por 30 dias por padrão

Próximo passo concreto, e leva dois minutos: abra claude.ai/settings/data-privacy-controls e confira como está a SUA configuração hoje, antes da próxima reunião com cliente

Depois leva as quatro perguntas deste post pro alinhamento e resolve isso de uma vez

É conversa curta, feita uma única vez por projeto, e te poupa uma dor de cabeça enorme lá na frente…

Até o próximo post! 😀

Perguntas frequentes

É seguro usar o Claude Code em projeto de cliente com o meu plano Pro pessoal?

Dá pra usar, mas o dado importa: em contas Free, Pro e Max, as sessões de código entram em treinamento se a configuração de melhoria do modelo estiver ligada. Se o combinado com o cliente for não treinar com aquele código, o caminho é desligar essa opção antes de rodar o agente no repositório dele.

Como eu desligo o treinamento de modelo com as sessões do Claude Code?

A configuração fica em claude.ai/settings/data-privacy-controls e pode ser alterada a qualquer momento. Desligar a opção faz a Anthropic parar de usar chats e sessões de código, tanto antigas quanto novas, em treinamentos futuros, e a documentação de uso de dados do Claude Code (docs.claude.com/en/docs/claude-code/data-usage) diz que esse controle da conta de consumidor vale também para o Claude Code usado por ela.

O Claude Code guarda as conversas do projeto no meu computador?

Sim, o cliente guarda transcrições de sessão localmente, em texto plano, na pasta ~/.claude/projects/. O padrão é reter por 30 dias para permitir retomar sessões, e esse período pode ser ajustado pela configuração cleanupPeriodDays.

Usar o comando /feedback do Claude Code muda a retenção dos dados daquela sessão?

Muda, e é um detalhe fácil de passar batido em projeto de cliente. Transcrições enviadas pelo /feedback são retidas por 5 anos e podem ser usadas pela Anthropic para melhorar produtos e serviços, então vale evitar esse comando em sessão com código sensível.

O plano Enterprise do Claude Code garante retenção zero de dados automaticamente?

Não automaticamente. Acordos de retenção zero de dados (ZDR) existem mediante aprovação da Anthropic e se aplicam a APIs elegíveis, a produtos que usam a chave de API da organização comercial e ao Claude Code em planos Enterprise. O caminho é o cliente falar direto com o time de vendas da Anthropic.

Dá pra rodar o Claude Code em projeto de cliente sem enviar telemetria de uso?

Dá. A variável DISABLE_TELEMETRY=1 desliga as métricas de uso e relatórios de erro, e CLAUDE_CODE_DISABLE_NONESSENTIAL_TRAFFIC desliga o tráfego não essencial. Vale lembrar que essa telemetria nunca inclui código, prompts ou caminhos de arquivo, mesmo com ela ligada.




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